Viagens na Nossa Terra #04

Cervães (Vila Verde) / Gerês / Ponte de Lima / Vila Nova de Cerveira

Num dia que amanheceu chuvoso, deixamos a tranquilidade do Hotel Torre de Gomariz onde pudemos aproveitar um final de tarde junto à piscina rodeados de vinha e do chilrear dos passarinhos e de um jantar gourmet delicioso, para percorrer a rota dos espigueiros do Parque Nacional da Peneda-Gerês…

Recomendamos a 100% este hotel boutique de 5 estrelas situado na freguesia de Cervães que integra um dos mais emblemáticos edifícios históricos de Vila Verde. Oferece uma ligação única entre história, natureza, design e sofisticação, onde o clássico e o contemporâneo se fundem de forma excecional.

Visitar o Parque Nacional da Peneda-Gerês requer mais que uma “escapadinha”… são cerca 72 mil hectares, espalhados por cinco municípios, quatro do Minho e um de Trás-os-Montes. Por isso, neste dia dedicamo-nos a explorar os locais onde estas eiras comunitárias proliferam para assim admirar este traço cultural da vivência comunal local.

E se em cada recanto podemos aprecia este “celeiros” típicos onde se armazena o milho, há dois locais onde estes se concentram e proporcionam ao visitante um espetáculo único!


LINDOSO

Em Lindoso, quase na fronteira com Espanha, um conjunto de 64 espigueiros concentram-se em volta de uma única eira o que, juntamente com o seu castelo altaneiro e uma sublime vista sobre o rio Lima, tornam esta aldeia um conjunto digno de visita.

Povoação típica composta por velhas casas de granito, bem inseridas na paisagem, subsistindo ainda em algumas instalações agrícolas a cobertura de colmo.

Reza a lenda que o rei D. Dinis gostou tanto do castelo pela primeira vez que lá se deslocou, que repetiu a visita mais algumas vezes… “Tão alegre e primoroso o achou, que logo Lindoso se chamou”.


SOAJO

Não muito longe, Soajo também nos presenteia com 24 espigueiros, sempre coroados com uma cruz no alto, como pedidos de proteção divina, sinal evidente da sacralização destes armazéns cruciais para a vida.

As “rodas” na base servem para evitar que os roedores estraguem o sustento das famílias, para muitas delas o único meio de sobrevivência.

Percorremos depois a pedonal aldeia de Soajo e tivemos a sensação ter parado no tempo. As ruas empedradas, as casas de maciços blocos de granito, o emaranhado de ruelas muito estreitas, a igreja matriz e o pelourinho, tudo em volta do Largo do Eiró torna esta aldeia única.

Sem o calor que costuma caracterizar estas paragens na primavera, a descida íngreme até ao Poço Negro, junto ao rio, não convidou a banhos e mergulhos e apenas apreciamos a beleza da paisagem do cimo da estrada.


PONTE DE LIMA

Aproximava-se a hora de almoço e a proximidade com Ponte de Lima, conhecida pela excelente qualidade gastronómica, sobretudo no que toca ao arroz de sarrabulho, fez-nos deixar o Gerês e rumar a esta cidade minhota.

Um breve passeio junto à ponte medieval nas margens do Lima e no seu centro histórico, com o sol finalmente a dar um ar da sua graça, fez com que nos encantássemos com esta cidade.

Destacamos:

O Monumento Memórias do Campo que presta homenagem aos camponeses das lavradas, sementeiras e ceifas das gentes limianas

e as estátuas de soldados romanos que contam uma antiga lenda…

Segundo se conta por restas bandas, os soldados romanos recusaram-se a atravessar o rio Lima pois era tal a beleza do lugar que pensaram estar junto ao rio do Esquecimento, o rio Lethes, que fazia perder a memória daqueles que bebessem das suas águas ou que o atravessassem.


VILA NOVA DE CERVEIRA

Antes de regressar a casa voltamos a “tocar” a fronteira com Espanha, mais uma vez junto ao rio Minho, agora mais no litorial…

Fomos visitar o Miradouro do Espírito Santo, também conhecido como “Portas do Céu” que oferece uma vista privilegiada, com que fechamos mais uma viagem pela nossa terra!

As ruínas remanescentes da Capela do Espírito Santo da qual apenas existe o pórtico de entrada, na fachada frontal e dois alinhamentos em pedra, marcam o início da construção das paredes laterais que nunca foram concluídas.

Fica a cerca de 5 minutos do centro de Vila Nova de Cerveira sendo necessário, depois de estacionar no sopé do monte onde está localizado, fazer uma caminhada de alguns metros por um caminho um pouco íngreme para chegar ao local. Mas, conforme demonstra a foto, a paisagem recompensa largamente o esforço!

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Todos os textos são da autoria de Olga Samões e todas as fotografias deste blog são da autoria de José Carlos Lacerda, exceto onde devidamente identificado. Proibida a reprodução de quaisquer textos e/ou imagens sem autorização prévia dos autores

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