São Miguel, Açores – A natureza mostra a sua força!

S. Miguel é uma das 9 ilhas dos Açores, a maior delas com uma área de 744,7 km2,  albergando mais de metade da população açoriana, cerca de 137 856 habitantes. Também conhecida como ilha verde, a sua paisagem caracteriza-se por prados extensos e manchas de floresta implantadas nos vales das ribeiras. A gastronomia confecionada com os produtos da terra e do mar e as  águas termais que jorram das entranhas da terra, juntam-se ás suas maiores atrações. Leia o nosso roteiro turístico ilha de São Miguel Açores ! Prometemos que lá vai querer ir…

Em 2019 com a ajuda de M Conceição Teixeira fizemos este artigo com o objetivo de conhecer melhor este destino, para quem, como nós, queria ir até lá uns dias conhecer esta ilha. Tendo esse desejo sido concretizado em julho de 2020, em plena pandemia covid 19, resolvemos agora atualizar este artigo juntando as 2 experiências!

Como chegar a São Miguel?

Começamos pelas vária opções de chegar á ilha:

Fazemos sempre a pesquisa dos voos no Skyscanner pois assim ficamos com uma visão global dos preços praticados pelas diversas companhias aéreas e dos horários disponíveis. Tem sido um motor de busca essencial! É só escolher a opção que mais nos convém e somos redirecionados para as várias hipóteses de reserva… DICA: ESCOLHA SEMPRE A PRÓPRIA COMPANHIA AÉREA… por vezes não é a opção mais barata mas é, de certeza, a mais segura.

Temos também links diretos de outras companhias que costumamos utilizar, sendo aqui a mais relevante a Tap, que a cada passo faz “flash sales” para Ponta Delgada.

Antes, porém, de falarmos do roteiro propriamente dito, deixamos uma curiosidade … Sabiam que os Açores, segundo a lenda terá pertencido ao continente perdido da Atlântida???

  • A história da Atlântida foi contada pela primeira vez por Platão como uma parábola para exemplificar como o Céu castiga os que adoram falsos deuses. No entanto a autenticidade desta da narrativa, transmitida oralmente ao longo de centenas de anos faz com que se questione se tratar de um mito ou realidade! A verdade é que a lenda da Atlântida tem inspirado várias pesquisas e muitos são os caminhos que a levam aos Açores.  

    Platão indica claramente que a Atlântida se situava no oceano Atlântico, o que levou um certo número de investigadores a procura-la nessa área, persuadidos de que existira outrora um imenso continente no meio do oceano. Segundo esta teoria, os Açores, as ilhas de Cabo Verde, as Canárias e a Madeira seriam os cumes das montanhas da Atlântida e o que permanece visível de um continente perdido… A Atlântida permanece até hoje um dos mais inignmáticos mistérios da Terra!


PONTA DELGADA – a capital de São Miguel

Como inevitavelmente vamos aterrar em Porta Delgada, no aeroporto “João Paulo II” situado a cerca de cinco quilómetros da cidade, nada como aproveitar para desde logo a conhecer melhor para depois nos dedicarmos a explorar toda a ilha…Poderão optar por ter aqui o ponto “base”, indo e regressando todos os dias ou pernoitar algumas noites noutras localidades, aproveitando mais os destinos mais rurais.

são-miguel-1
aeroporto-são-miguel

O ideal é alugar um carro já que nos dá a liberdade para fazer o roteiro da ilha de São Miguel de forma personalizada, de gerir o tempo disponível e de explorar locais que recorrendo aos transporte públicos se tornam complicados ou impossíveis.

Fica aqui a dica da M Conceição Teixeira que reservou online atraves de www.ilhaverde.com levantando logo o carro no aeroporto.

Alugamos carro, Rent-A-Car Ilha Verde, barato e bom serviço. Achamos curioso pedirem mais 10€ de caução para limpeza do carro…no final dos 5 dias e de 620 kms percebemos o porquê e claramente os 10€ mais bem gastos dos últimos tempos… O carro ficou muuuiiito sujo!

M Conceição Teixeira @ Grupo Viajar pelo Mundo da página FB Travel Around the World

Nós utilizamos os seguintes motores de busca para fazer a reserva:

TomTomGO740TMLIVE(Lifetime Traffic & Maps Edition)

Existem várias opções de alojamento nesta cidade, é uma questão de preferência da zona onde pretendem ficar.

A nossa opção foi para os primeiros dias em que usamos Ponta Delgada como base para explorar a ilha, indo e regressando á cidade após as visitas efetuadas, um hotel muito central, o S. Miguel Park Hotel.

Passamos depois uns dias noutras zonas da ilha, regressando a Ponta Delgada no último dia da viagem para após pernoitar apanhar o avião no dia seguinte logo de manhã de regresso a casa. Nesse último dia ficamos alojados na Herdade do Ananás, como referiremos em baixo.

Booking.com

Portas da Cidade

Em PONTA DELGADA  dos vários locais a visitar destacamos as Portas da Cidade, que dão as boas vindas a quem chega! Á noite, ficam iluminadas, o que lhes dá um realce muito interessante.

são-miguel-2
portas-da-cidade-são-miguel

No largo em frente encontra-se a estátua do descobridor Gonçalo Velho Cabral e por trás fica a igreja matriz de São Sebastião, com uma lindíssimo pórtico Manuelino.

O culto do ananás na ilha de São Miguel

Perto da cidade torna-se obrigatória uma visita a uma das muitas PLANTAÇÕES DE ANANÁS por lá existentes.

A cultura do ananás, originário das Américas, foi introduzida na ilha de São Miguel no século XIX, sendo esta ilha o único ponto do mundo onde este fruto é cultivado a semelhante latitude!

As plantas são cultivadas em estufas de vidro caiado de branco, obedecendo a técnicas tradicionais que tornam único o ananás do Açores

Segue-se um método de cultivo tradicional, decorrendo dois anos entre o cultivo e a maturação. No seu cultivo é obrigatória a utilização de “camas quentes” e aplicação de “fumos” à base de matéria vegetal. O processo começa no “estufim”, onde se planta as “tocas” (bolbos de plantas que já deram fruto). Passado cerca de um mês passam para outras estufas e vão para a “cama”… este é o nome dado à terra dessas estufas, muito rica em matéria orgânica onde serão criteriosamente regadas.

Cada planta dará apenas um fruto!

Quatro meses depois da plantação definitiva é efetuada a operação do “fumo” que consiste na queima de verduras dentro das estufas de modo a “intoxicar” as plantas, obrigando a que estas floresçam todas ao mesmo tempo, conseguindo-se assim controlar os ciclos de produção.

E “voilá”… assim nasce o melhor ananás do mundo 🍍

“Sabiam que um ananás demora 2 anos a estar pronto a ser colhido?”

M Conceição Teixeira @ Grupo Viajar pelo Mundo da página FB Travel Around the World

A região de Fajã de Baixo concentra a maior parte da produção da ilha e aqui há alguns produtores permitem a visita gratuita aos locais. Entre outras, a plantação A. Arruda, orientada para o turismo, com várias estufas com os vários estágios da produção do ananás e a Quinta das Três Cruzes, onde se visita o armazém onde é feita a embalagem e a pesagem dos ananases, tem um filme do demorado processo da produção de um ananás e acompanhamento por um guia às estufas para observar a produção.

Nós optamos por pernoitar um dia na Herdade do Ananás! E recomendamos muito… Trata-se de um alojamento de turismo rural que se situa a cerca de 3km das Portas da Cidade. Incluí um buffet de pequeno-almoço soberbo, recheado de produtos regionais…

Com um maior nível de conforto e tranquilidade, a Herdade do Ananás permite aos hóspedes desfrutar de uma variedade de experiências, nomeadamente o famoso “Pineapple Greenhouses”, localizado na propriedade, que produz a fruta desde 1958. Foi aqui que tivemos uma visita guiada ás estufas, incluída na estadia, que nos ensinou tudo sobre a produção do ananás.


LAGOA DO CANÁRIO / LAGOA DAS SETE CIDADES/ FERRARIA / PRAIA DOS MOSTEIROS

Assim, no primeiro dia demos inicio ao nosso roteiro de São Miguel, partindo de Ponta Delgada em direção à Lagoa das Sete Cidades.

Durante o trajeto, percorremos vários locais e visitamos muitos miradouros… Uma manhã repleta de paisagens encantadoras e de ar puro.

Lagoa do Canário

A primeira paragem foi a Lagoa do Canário, sinónimo de beleza, tranquilidade e paz.

O seu acesso faz-se percorrendo um trajeto simples pelo meio da vegetação até que, de repente… a surpresa é gratificante, pois a vista da Lagoa do Canário é incrível e única.

Continuando o caminho em direção do postal ilustrado da ilha, por todo o lado fomo-nos cruzando com o que são verdadeiramente uma sua mascote: as vacas leiteiras.

Lagoa das Sete Cidades

Até que chegamos à vista do Rei… nome dado ao mais famoso miradouro dos Açores sobre a Lagoa das Sete Cidades!

lagoa-da-sete-cidades-são-miguel

Amantes de mitos e lendas, como somos, temos que vos deixar aqui uma das muitas existentes sobre este local!

A “Lenda da princesa e do pastor no reino das Sete Cidades” é uma tradição oral da ilha de São Miguel e versa sobre a origem das lagoas da caldeira do vulcão das Sete Cidades que, apesar de unidas, têm duas cores diferentes, sendo uma verde e outra azul.

  • “Os reis desta terra encantada tinham uma linda filha que não gostava de se sentir presa entre as muralhas do castelo e saía todos os dias para os campos, passeando por aldeias, montes e vales.

    Durante um dos seus passeios pelos campos conheceu um pastor, filho de gente simples do campo que vinha do trabalho com os seus rebanhos, mas após longa conversa aperceberam-se que gostavam das mesmas coisas e assim nasceu o seu amor, passando a encontrarem-se todos os dias!

    No entanto a princesa já com o destino traçado pelos seus pais, tinha o casamento marcado com um príncipe de um reino vizinho. E quando o seu pai soube desses encontros com o pastor, tratou de os proibir, concedendo-lhe no entanto um encontro derradeiro para a despedida.

    Quando os dois apaixonados se encontraram pela última vez, choraram tanto que junto aos seus pés aos poucos foram crescendo duas lagoas. Uma das lagoas, com águas de cor azul, nasceu das lágrimas derramadas pelos olhos também azuis da princesa. A outras, de cor verde, nasceu das lágrimas derramadas dos olhos também verdes do pastor.

    Para o futuro ficou, reza a lenda, que se os dois apaixonados não puderam viver juntos para sempre, mas pelo menos as lagoas nascidas das suas lágrimas ficaram juntas para sempre…”

Como este miradouro se localiza num ponto da orla da cratera do vulcão das Sete Cidade pode não ser fácil uma visão clara das lagoas, isto porque a maior parte dos dias os pontos mais altos da ilha de São Miguel estão cobertos por nevoeiro. Quando o céu está enevoado os diferentes tons das águas não não visíveis … foi o que aconteceu com a M Conceição Teixeira, que, no entanto, nos deixou estas fotos com o seguinte comentário:

“Lagoa das Sete Cidades: que dizer? Difícil descrever tanta beleza natural… Neste dia o céu estava enevoado e não deu para ver que um lado é azul e o outro é verde… Nada perdido, adoramos”

M Conceição Teixeira @ Grupo Viajar pelo Mundo da página FB Travel Around the World

Uma outra vista poderá ser obtida estacionando o carro à entrada da Lagoa do Canário e seguindo a pé um trilho que nos levará até ao “Miradouro da Lagoa do Canário”. também conhecido por “Grota do Inferno”. Ao longo desse trilho há placas a indicar a Lagoa do Canário (do lado esquerdo) e o miradouro que é um dos pontos altos, com vistas fantásticas sobre a Lagoa de Santiago e a Lagoa das Sete Cidades. Á nossa passagem este caminho estava fechado dadas as restrições inerentes á pandemia.

Fica aqui a nossa opinião… o miradouro do Serrado das Freiras tem, quanto a nós uma panorâmica privilegiada, sendo possível observar melhor as diferentes tonalidades das águas das lagoas: o verde e o azul.

E como podem constatar nós tivemos mais sorte com o dia!!!

Descendo depois até à lagoa poderemos atravessar a ponte que a divide e fazer uma caminhada á sua volta! O nível da água nestas lagoas é constante ao longo de todo o ano, tudo graças a um túnel artificial que escoa a água para o mar.

Ferraria

Daqui fomos para o extremo oeste da ilha onde fica a estância termal da Ferraria, dando assim continuidade ao nosso roteiro da ilha de São Miguel!

O edifício onde funcionam as termas e um restaurante está e cerrado devido ao estado de pandemia que vivemos mas mais à frente, numa paisagem quase lunar, fica a piscina natural, no próprio mar, onde uma nascente termal mantém as águas sempre quentes.

Felizmente pudemos desfrutar desta maravilha da natureza e passar pela experiência única de mergulhar em águas salgadas a mais de 35 graus!

Praia dos Mosteiros

A tarde foi depois passada na Praia dos Mosteiros…o extenso areal negro, recortado por escarpas verdejantes e com uma visão privilegiada para os Ilhéus, quatro grandes rochedos, distantes cerca de um quilómetro da costa, acolheu-nos neste dia de verão.


LAGOA DO FOGO / CALDEIRA VELHA / RIBEIRA GRANDE / PARQUE TERRA NOSTRA

Lagoa do Fogo

Iniciamos o segundo dia com a visita à Lagoa do Fogo, no topo da Serra da Água de Pau… águas de um tom azul bem forte preenchem a cratera de um dos vulcões extintos que estiverem na origem desta ilha. O eterno nevoeiro que se faz sentir nestes mais de 500 metros de altitude compõem o quadro de mais uma paisagem deslumbrante!

lagoa-do-fogo-são-miguel

Caldeia Velha

Rumamos depois a um dos locais de maior beleza natural da ilha de São Miguel: a Caldeira Velha.

A água que escorre pelas encostas é aquecida por uma caldeira vulcânica, num vale rodeado de verde, onde se destacam os enormes fetos… a ideia era passar uma manhã em banhos termais entre piscinas naturais e uma queda de água a temperatura que faz parecer gelado o mar das Caraíbas !!!! Mas, como todas as outras atrações termais da ilha estavam fechadas a banhos, circunstâncias dos tempos de pandemia que vivemos.

Salto do Cabrito

Perto fica a cascata do Salto do Cabrito, uma queda de água com cerca de 40 metros de altura com águas cristalinas e… geladas !!!! Aberta mas pouco apetecível!

Nós chegamos até á cascata de carro, estacionando nas imediações, mas fica qui a sugestão da M Conceição Teixeira e uma opinião diferente quanto á temperatura da água !!!!

“Salto do Cabrito… ! Para quem gosta de caminhar, como eu, sítio ótimo para visitar. O percurso não é fácil e ficamos bem sujos, vale mesmo a pena. Levar toalha também é uma boa ideia pois podemos tomar banho na lagoa de água bem quentinha!”

M Conceição Teixeira @ Grupo Viajar pelo Mundo da página FB Travel Around the World

Trata-se de uma pequena rota circular com início/fim na zona das Caldeiras da Ribeira Grande, junto à central geotérmica do Pico Vermelho. Com cerca de 7 quilómetros o seu “ponto alto” é a imponente queda de água com cerca de 40 metros de altitude que prima pela frescura e pelo sossego que proporciona a quem a visita. Apresenta águas cristalinas que convidam a banhos. O trilho, num caminho de terra batida é ladeado por incensos, acácias, criptomérias e eucaliptos

Ribeira Grande

O almoço estava projetado para a Ribeira Grande, no topo norte, uma cidade acolhedora com uma praia de areia negra onde o peixe é menu inevitável!

Após paragem no miradouro de Santa Iria e várias tentativas frustradas de passar a tarde numa praia do norte, antecipamos a chegada ao hotel de destino, no Parque Terra Nostra, em plena vila das Furnas.

Parque Terra Nostra

Aqui a piscina de águas férreas termais de cor acastanhada e com uma temperatura média de 25º é a principal atração mas, claro está, interdita à custa do covid. Ficamo-nos pela caminhada pelos mais de 10 hectares de caminhos e trilhos que compõem este parque recentemente considerado um dos mais belos jardins do mundo onde lagos, riachos, grutas e inúmeras espécies de plantas foram “pousando” para a fotografia!

O parque Terra Nostra foi recentemente considerado um dos mais belos jardins do mundo. Alberga uma das maiores coleções de camélias existente, entre outras espécies de flora.

“De uma beleza extraordinária com várias piscinas para desfrutar. Também aqui a água varia de temperatura mas sempre bem quentinha.. Com balneários para poder tomar banho… Aproveitamos para almoçar no Restaurante Terra Nostra o famoso cozido das Furnas… Muito bom… Recomendamos! A entrada custa 8 € por pessoa… Se almoçar no Restaurante, oferecem a entrada no parque”

M Conceição Teixeira @ Grupo Viajar pelo Mundo da página FB Travel Around the World

Nós optamos mesmo por passar a noite no hotel – https://www.booking.com/hotel/pt/terra-nostra-garden – Os hospedes do hotel têm acesso gratuito e direto ao jardim e , em épocas “normais” podem ficar até às 22h00 no tanque termal.

Para outras opções na zona das Furnas:

Booking.com

FURNAS / MIRADOUROS DO NORDESTE / POVOAÇÃO

Dedicamos a manhã do terceiro dia da nossa viagem ao coração de São Miguel, isto é, às Furnas.

A atividade vulcânica é uma constante em toda a ilha de São Miguel, mas é ao redor da lindíssima LAGOA DAS FURNAS que esta se manifesta com mais força pelo que é em redor deste fenómeno natural que se concentram as sua atrações. É algo de assombroso ver esta verdadeira força da natureza a ser libertada!

Mais uma vez fomos descobrir a lenda que está na sua origem…

  • Há muito, muito tempo, no local onde se encontra atualmente a Lagoa das Furnas, existia uma pequena aldeia onde se vivia sem guerras, sem invejas nem ódios e onde não faltava nunca a ninguém alegria e pão em cima da mesa. As suas  gentes eram trabalhadoras, abençoadas com terra fértil e rica em águas…

    Certa manhã, um rapaz da aldeia para ir à fonte e lá chegado teve uma desagradável surpresa… A água estava salgada e intragável como nunca estivera. Espantado correu a dar o alarme mas ninguém se acreditou nele! Uns dias depois, ganhou coragem para voltar e o cenário ainda estava pior: eram inúmeros os peixes mortos no local…Voltou a correr para a aldeia, gritando apavorado. Mas nem assim o acreditaram, continuando a faina alegre do costume, cantando o cozinhando as suas refeições.

    Só o avô do jovem concordou em ir confirmar o que este dizia e aterrado com situação voltou á aldeia aconselhando aquelas gentes a subir aos montes para verificar se haveria sinal de novas terras no horizonte.

    Palavras vãs. Só o rapaz e o velho subiram até aos cumes e avistaram uma nova ilha entre as brumas e névoas. Logo desceram a toda a pressa, incitando os aldeões a fugir já que tinha emergido do mar a Ilha Encantada das Sete Cidades, sinal que fazia prever terríveis mudanças.
    Mas eles ignoraram-nos, continuando na folia de sempre, cantando o cozinhando as suas refeições.

    Atemorizados o jovem e seu avô pegaram no gado e rumaram a uma povoação vizinha para o vender e quando regressaram à aldeia, algo mudara… Onde antes existiam vales, havia agora montanhas e a aldeia, nem vê-la. Tudo fora soterrado! No local, uma nova lagoa de águas límpidas borbulhava debaixo do sol. É a Lagoa das Furnas.

    Desde então, o povo acredita que os aldeões continuam a viver debaixo e em volta da Lagoa, invisíveis. Deles, só as bolhas de gás vulcânico e os fogos fátuos. Dizem que continuam a cozinhar….

Pico do Ferro

E para desfrutar da vista da lagoa das Furnas o segredo é subir ao miradouro do Pico do Ferro. Nem sempre a meteorologia o permite pois o local está frequentemente coberto por nevoeiro mas hoje tivemos a sorte de admirar todo o vale das Furnas, desde a lagoa até à vila.

Depois, fomos as caldeiras ver de perto…

Fumarolas

As várias caldeiras libertam vapores e o tão desagradável cheiro a enxofre sobre pelas narinas. É algo de assombroso ver esta verdadeira força da natureza a ser libertada, não só nas caldeiras mas igualmente pela terra, pelas tampas corroídas das caixas de esgotos, pelas lamas que borbulham incessantemente. Tudo fumega.

“O cheiro a enxofre é intenso, mas passado pouco tempo ficamos habituados. O jardim a cerca de 100 metros é de uma beleza de cortar a respiração. Tudo muito tranquilo e harmonioso.”

M Conceição Teixeira @ Grupo Viajar pelo Mundo da página FB Travel Around the World

Há nos muros várias nascentes de águas termais. Algumas delas têm uma sabor inesquecível de tão forte e desagradável que é. Outras são até bastante agradáveis, com um sabor semelhante à Água das Pedras, mas com menos gás. Todo este espaço está no meio das casas é de visita gratuita

Zona das Caldeiras dos cozidos

Na margem da lagoa mais caldeiras são visíveis e é precisamente aqui onde os habitantes e os restaurantes locais preparam o cozido à portuguesa nos fornos naturais alimentados pela atividade vulcânica.

É nas margens da lagoa das Furnas que se fazem os famosos cozidos! O acesso custa 2€ por pessoa (carro incluido).

Por volta das 12h30 os restaurantes vão retirar os seus cozidos para o almoço pelo que esta é uma boa oportunidade para ver os cozidos a sair debaixo da terra. A colocação das panelas ocorre pelas 6h00 da manhã, a caldeira é nessa altura fechada com uma tampa de madeira e coberta com terra e não pode mais ser aberta até estar pronto.

E claro… o almoço de hoje não podia ser outro! É talvez o prato mais tradicional dos Açores, este cozido é assim confecionado nas margens da lagoa das Furnas, recorrendo unicamente ao calor que emana da terra onde permanece várias horas. Nós escolhemos de entre os vários restaurantes da zona o Restaurante Miroma (também tivemos boas recomendações do Restaurante Tony’s) onde a reserva antecipada é muito aconselhável.

Poça Dona Beija

Também nesta zona é possível, caso não estejam em vigor as restrições que nós encontramos devidas ao Covil, visitar a Poça Dona Beija:

A Poça da Dona Beija, local muito apreciado para banhos termais, teve o seu nome inspirado numa novela brasileira e estende-se ao longo de um ribeiro onde foram criadas várias piscinas aproveitando as fontes termais de água quente.

“É um espaço termal a céu aberto. Tem poças que variam de temperatura entre os 28° C e os 39°C. Pagamos 6€ por pessoa com mais 2€ para aluguer da toalha. Vale a pena! Se levar toalha própria não é necessário alugar!

M Conceição Teixeira @ Grupo Viajar pelo Mundo da página FB Travel Around the World

Nordeste

Estava na hora de rumar em direção à vila do Nordeste.

Esta é a região mais verde de São Miguel e, além disso, é a parte mais tranquila da ilha. Portanto, o nordeste é repleto de jardins, miradouros, cascatas e claro… vacas!

Estava nos nossos planos seguir a sugestão da M Conceição Teixeira e ir visitar as plantações de chá, no norte, mas acabamos por não o fazer. Mas fica aqui o seu testemunho:

“Visitamos a plantação de chá da Gorreana que tem ao dispor, gratuitamente, dos visitantes chá verde para degustar. A loja de recordações com muitas opções de escolha a quem quiser trazer um miminho para alguém

M Conceição Teixeira @ Grupo Viajar pelo Mundo da página FB Travel Around the World

Perto de São Brás podemos visitar as plantações de chá da Gorreana.

Os visitantes são convidados a conhecer toda a fábrica onde se pode ver de perto todas as máquinas usadas no fabrico do chá, a maioria do tempo do seu inicio de atividade, no século XIX… autenticas relíquias!

Pode-se assistir a um filme que explica todo o processo de fabrico e no final é possível provar as várias variedades de chá aí produzidas de forma gratuita. Existe uma loja onde pode comprar o chá ali produzido.

Mais informações em www.gorreana.org/

O chá, que começou a ser bebido na China muitos séculos antes de Cristo, só chegaria ao Ocidente no século XVI pela mão dos descobridores portugueses. Na ilha de São Miguel viria a ser introduzido por Jacinto Leite por volta de 1820, que criou aqui a primeira plantação. Isto foi possível por a ilha apresentar um clima propício ao desenvolvimento da planta.

Apesar de todo o chá ter origem na mesma planta através da seleção de folhas e métodos de processamento pode dar origem a várias variedades: no chá preto as folhas são esmagadas e expostas ao ar durante um longo período de tempo para secarem  e oxidarem já para o chá verde são esterilizadas com vapor de água e depois secas e enroladas.

Fomos assim diretos ao Salto da Farinha á Pedra dos Estorninhos mesmo ao lado da pequena aldeia de Salga.

Seguimos sempre junto ao mar até perto da vila do Nordeste para visitar o escondido farol do Arnel… mas vamos fazer uma confissão: fizemos “batota”! A inclinação anunciada de 35 % impedia a descida de carro, e não nos apeteceu fazer todo o percurso a pé…o drone foi até lá!

farol-do-arnel-são-miguel

Terminamos no Miradouro da Ponta do Sossego e no Miradouro Ponta da Madrugada, ambos no topo das falésias, de profusa vegetação, e onde os panoramas sobre o fantástico Oceano Atlântico e a verdejante Ilha de São Miguel são de grande beleza…

Tivemos que “dispensar” o planeado trilho de 4,5 km no meio da floresta em Faial da Terra para apreciar a bela cascata do Salto do Prego. O tempo “fechou” com nevoeiro cerrado e chuva miudinha nada convidativo para caminhadas!

Tal como nos tinha sido sugerido pela M Conceição Teixeira também ficamos alojados em Povoação no Hotel do Mar.

Ficamos alojados em Povoação. O nome diz tudo da Vila o primeiro local a ser habitado nesta Ilha. O hotel a 50 metros do mar… E aí o pequeno almoço  comer e chorar por mais, desde os queijos maravilhosos ao pão os bolos caseiros, a manteiga servida em pratos em forma de flor e até o leite em garrafa coisa que já não víamos disso há muito tempo. Quando chegamos a balança mostrou o quanto gostamos da comida

M Conceição Teixeira @ Grupo Viajar pelo Mundo da página FB Travel Around the World
Booking.com

LAGOA DO CONGRO / VILA FRANCA DO CAMPO / PRAIA ÁGUA D´ALTO

A volta à ilha estava a terminar… entre lagos e crateras, fumarolas e fontes termais, miradouros onde a vista se perde no atlântico, vacas, muitas vacas 🐄🐄🐄 e hortênsias por todo o lado, foram uns dias muito bem passados!

Deixamos para o fim a Lagoa do Congro com direito a trilho pedestre pela floresta

e seguimos a nossa viagem até Vila Franca do Campo onde o fotogénico ilhéu prendeu a nossa atenção.

E dado que os banhos termais estavam todos fechados… restou-nos o atlântico e assim a tarde foi passada na areia escura da praia Água d’Alto debaixo de um sol abrasador e uns bons mergulhos no temperado mar açoriano.

Nunca se esqueçam de fazer o seu SEGURO DE VIAGEM… Nós fazemos sempre!

Viajar é a nossa paixão, um momento muito esperado e planeado e por isso, nada melhor do que embarcar tranquilo! Assim, fazer um seguro viagem dá-nos a segurança de que caso algum imprevisto aconteça, como o extravio de alguma mala ou mesmo a necessidade de assistência médica, não teremos que nos preocupar com dinheiro e burocracia.

Fazemos sempre comparação de preços/condições da apólice nestas duas companhias de seguros especializadas em seguros de viagem, em função do destino pretendido. Façam como nós e escolham o melhor seguro de viagem…

Simulação AQUI


O texto deste artigo é da autoria de Olga Samões sendo citada, nos locais assinalados, M Conceição Teixeira. Todas as fotografias deste artigo são da autoria ou de M Conceição Teixeira sendo publicadas com a sua autorização ou de José Carlos Lacerda co-autor deste blog. Proibida a reprodução de quaisquer textos e/ou imagens sem autorização prévia dos autores

Este artigo poderá conter links de afiliados. O que são ?  

Ao fazerem reservas pelos links do nosso blogue NÃO vão pagar MAIS por isso e nós ganhamos uma pequena comissão dada pela entidade pela publicidade que lhe fazemos.

Ilha de São Miguel, Açores, onde a natureza mostra a sua FORÇA… um lugar sem duvida a visitar!

Leave a Reply