Hoi An, Vietname – " A cidade das lanternas"

Rumo a sul, a primeira paragem levou-nos até Hoi An, uma pequena cidade portuária situada a meio do litoral do Vietname.

E se de dia nos encantamos pelas suas ruelas pitorescas cheias de lojinhas de design, alfaiates e restaurantes e pelo mercado recheado de frutas, quando começou a cair a noite ficamos deslumbrados!!!! Tudo se transformou num espetáculo de cor, como se dum cenário de um filme se tratasse…centenas de lanternas iluminaram o ambiente, penduradas nas ruas, flutuando no rio, decorando as casas!

Acolhedora e aconchegante…uma visita obrigatória neste país!

Aqui captamos um dos “rostos” que mais nos marcou nesta viagem… as imagens falam por si!

Optamos por ficar perto da praia na zona de Cam An, a meia dúzia de quilómetros do centro da cidade, cientes da desvantagem de ficarmos condicionados nas deslocações e de que quase nada havia de interesse junto ao resort. Tínhamos, no entanto, a esperança de ainda aproveitar para uns banhos de sol em pleno dezembro, dado o clima sub-tropical desta zona do mundo!

Hotel Hoi An Beach Resort – https://www.booking.com/hotel/vn/hoi-an-beach-resort

Mas, apesar do calor abafado que se fazia sentir durante o dia, não havia sol e até ameaçava chover! O mar estava revolto e nada convidava uma ida à praia. E assim se manteve durante toda a nossa estadia frustrando-nos os planos.

Mas, quem precisa de praia com tantas outras opções que por ali havia?

Tínhamos é que urgentemente arranjar forma de nos deslocar pois apesar de em Hoi An tudo ser relativamente perto, centro da cidade, arrozais, praia… até mesmo a cidade de Da Nang, andar a pé não era uma solução eficiente.

Solução: alugamos uma scooter!!! Era inevitável…

Por um lado, proporcionava-nos mais liberdade, simplificando bastante qualquer deslocação.

Por outro lado, era extremamente barato e simples: 2 dias ficaram por menos de 15 euros, após negociação com o proprietário (sería???) mesmo em frente ao hotel, na beira da estrada, sem mais perguntas ou papelada, sem ninguém pedir carta nem nada. É pagar e já está!

E, acima de tudo, porque já nos fervia no sangue a vontade de também nós irmos para a estrada, de viver na primeira pessoa a total ausência de regras de trânsito!

No primeiro dia limitamo-nos à zona ribeirinha, a “Ancient Town”, um centro histórico muito bonito, calmo, com a maioria das fachadas das suas pequenas casas do século XVIII com uma arquitectura que funde estilos chineses, japoneses, vietnamitas e europeus, pintadas de amarelo criando um maravilhoso contraste com os coloridos barcos aportados nas margens do rio, atravessado por atrativas pontes da qual se destaca a ponte japonesa.

Por lá experimentamos o seu prato típico, o “Cao Lau”, para nós, o melhor de entre as iguarias da gastronomia vietnamita: dizem que o segredo do prato está na água que é usada para cozinhar as noodles, que é retirada de um poço específico localizado em Hoi An…verdade ou não, só sabemos que aqueles noodles, servidos num prato com algum caldo, umas fatias finas de carne de porco, ervas frescas, rebentos de feijão e alguns quadradinhos de massa frita, souberam pela vida!

E ao cair da noite vimos uma pacata vila transformar-se numa verdadeira animação: o perímetro junto ao rio foi cortado ao transito, os vendedores ambulantes começaram a instalar as suas “bancas” e a “população” parece que triplicou…gente e mais gente vinda de todos os lados inundaram as ruas, o rio ficou lotado de pequenos barcos em passeios descontraídos e as lanternas iluminaram-se de cor!

Tínhamos previamente agendado para o final da tarde uma massagem no spa do hotel e portanto vimo-nos forçados a abandonar o centro histórico precisamente nessa altura, ficando no entanto a enorme vontade de regressar, já noite escura, pois o cenário prometia ficar ainda mais deslumbrante.

Como tínhamos chegado ainda de manhã, a mota estava parada numa rua perpendicular ao rio, na zona entretanto fechada ao trânsito. Havia que dali sair e portanto, pelo meio da multidão que se passeava calmamente pelos mercados noturnos entretanto também por lá instalados, fomos “furando” entre eles, sempre a apitar, como já tínhamos aprendido, e, sentindo-nos uns verdadeiros vietnamitas, conseguimos sair com sucesso.

De volta para jantar, não foi fácil “estacionar” a mota. Com todas as entradas para o centro cortadas ao transito e todos os acessos mais próximos “controlados” pelos locais que, de giz em punho, geriam os “seus” passeios como se de parques de estacionamento pagos se tratassem, marcando os assentos com o número que depois num “rafeiro” papel entregavam ao proprietário do veiculo em troca de uns quantos “dongs”, acabamos por parar numa zona mais afastada e fazer a pé o percurso até à marginal do rio.

E, quando aí chegamos, percebemos verdadeiramente o porquê deste local ser conhecido pela cidade das lanternas. Acabamos por escolher um restaurante com um pátio superior ao ar livre para jantar tendo aos nossos pés a cidade e o rio iluminado e assim podendo melhor usufruir de tamanha beleza.

No dia seguinte, aproveitando a recente “aquisição” de 2 rodas fomos á descoberta… a cerca de 20 quilómetros de Hoi An visitamos as Marble Mountains, um conjunto de pequenas montanhas que, como o próprio nome indica, tem muita mármore!

E não há mármore só na montanha, também as estatuetas dentro das várias cavernas na montanha são feitas de mármore e nas dezenas de lojas em seu redor amontoam-se estátuas artísticas, religiosas e com muitos outros artigos feitos, claro, em mármore.

O caminho até lá foi feito sob ameaça de chuva, com algum vento e debaixo de uma temperatura desagradavelmente fria.

Estacionamos num dos característicos parques improvisados para as motas mesmo junto ao ascensor que nos levaria ao primeiro “nível” da montanha. Por lá exploramos as suas grutas, túneis, santuários, esculturas budistas e hindus, jardins e vários pagodes, de onde se destaca “Tam Thai”. As vistas para a praia e para os campos nas redondezas faziam-nos parar em cada “miradouro” e o enorme Buda de mármore branco reteve a nossa atenção até a chuva nos obrigar a procurar um abrigo…

Em busca da melhor vista lançamo-nos então num trilho pelo meio de uma das cavernas e depois de escalar algumas pedras e passar por um estreito buraco chegamos ao cume da montanha! Um amontoado de pedras irregulares e vegetação num espaço exíguo para a quantidade de pessoas que por lá estavam recompensava largamente a subida pela visão 360 graus que nos proporcionava. Estava mesmo a pedir uma filmagem aérea!

O local era, no entanto, muito pouco propicio para levantamentos e aterragens por ser totalmente acidentado, sem nenhuma parte plana para servir de base. Sem nunca nos deixar vencer pelas dificuldades resolvemos, confesso que por muita insistência minha, improvisar e fazer as manobras para as nossas mãos. E se a “descolagem” foi algo turbulenta mas efetuada com sucesso já a aterragem foi, digamos que, acidentada…

Na primeira tentativa, coloquei-me estrategicamente debaixo dele para o agarrar pela sua “barriga” por baixo das suas hélices para assim as evitar e descontrolar o seu voo. Quando já estava a escassos centímetros da minha mão e quando já tudo parecia controlado eis que ele sobe em grande velocidade em sentido vertical. Ainda sem consciência que tal tinha acontecido pelo facto dele ter acionado os mecanismos automáticos para evitar um obstáculo, que naquele caso era eu, encetamos nova tentativa. Disposta a não o deixar fugir, desta feita, quando se aproximou o suficiente não esperei que aterrasse na minha mão e fui eu de uma vez só ao seu encontro agarrando firmemente. Ele não gostou! Sentindo-se agarrado muito se debateu numa tentativa de fuga da minha mão… as hélices aceleraram o seu ritmo o barulho do seu motor parece que duplicou e num “bailado” em que ele puxava para cima e eu para baixo até que de repente um barulho arrepiador de algo a partir a que se seguiu um silencio aterrador sentenciou aquela luta a meu favor! Mas não sem danos colaterais: quatro unhas de gel recém colocadas e portanto bem firmes saltaram dos meus dedos, umas cortadas ou outras arrancadas, assim, a frio e uns quantos golpes superficiais, foram o resultado daquela manobra… o sangue que entretanto começou a sair em jorro assustou mais do que o incidente merecia e de todo o lado choveu a ajuda das restantes pessoas que também se tinham aventurado até aquele local, deitando-me água na mão para limpar e até fornecendo gaze e adesivo para colocar à volta dos dedos para estancar o sangue.

Foi apenas um susto… A filmagem valeu a pena!

Caso queiram ir num passeio organizado fica o link… o preço é tentador! https://www.getyourguide.com/marble-mountains-l89016/da-nang-marble-mountain-and-sculpture-village-tour

A tarde foi dedicada ao campo e ao mar!

Na zona de Cam Chau, estrategicamente situada a meio do caminho entre o centro da cidade e a praia fizemos uma incursão pelo meio dos arrozais… cruzamo-nos com uns simpáticos touros que tranquilamente pastavam nas charcas, pudemos ver nesse o cenário lindíssimo os agricultores com os seus tradicionais chapéus cónicos a trabalhar as terras e respiramos a paz que por ali se vivia.

Em plena praia, deserta de banhistas, assistimos ao regresso dos típicos barcos redondos de mais um dia de faina, ficando abismados com a destreza com que os manuseavam naquele mar revolto, fruto do mau tempo.

Um dia diferente, relaxado, sentindo simplesmente o quotidiano desta pacata localidade.

Para a manhã do dia seguinte e antes de nos dirigirmos mais a sul procuramos uma agência local a fim de contratar uma tour pelos canais para podermos experimentar os “basket boats”, aqueles que tínhamos visto na pesca no dia anterior. E, como a partida era do centro de Hoi An acabamos por estender o período que tínhamos a mota para nos possibilitar esta deslocação.

A verdade é que o passeio foi mais pelo rio principal do que pelos prometidos canais entre arrozais e canaviais e mais tampo num barulhento e lento barco a motor que nas embarcações típicas… o tempo também não ajudou muito pois a manhã estava fresca e a deslocação do vento fez com que ficássemos gelados o que ainda mais contribuiu para nos parecer que o percurso era infindável…

Quando o nosso barco abrandou, junto ao um local com meia dúzia de casas junto ao rio começamos a ver um pequeno barco de palha a aproximar-se e fomos transferidos para este. Engenhosamente manobrado por um homem que nem uma palavra de inglês falava, afastamo-nos nas aguas calmas, pela força dos seus braços, constatando que éramos os únicos por aquelas bandas…tínhamos caído no mais antigo “conto do vigário” de que teríamos que reservar desde logo a excursão porque poderia esgotar!

O nosso marinheiro de água doce bem se esforçou por tornar o mais agradável possível aquela viagem, desde rodopiar habilidosamente o barco equilibrando-se nas suas bordas até eu ficar tão tonta e lhe pedir para parar sob pena do pequeno almoço não se aguentar mais no meu estômago, a presentear-nos com flores e gafanhotos feitos com fitas de palmeiras secas, a levar-nos junto de duas mulheres que ali “perdidas” estavam numa outra embarcação à nossa espera para nos presentearem com umas musicas típicas que cantaram o tão afinadamente quanto as suas vozes permitiram e a parar em “pontos estratégicos” e quase nos obrigar a pousar para as fotos que ele mesmo tirava, que ficaram péssimas, mas o que conta é a intenção!

No regresso, já com uma temperatura mais amena e com outro movimento no rio que de manhã cedo, à nossa ida, estava deserto, pudemos ver os pescadores a lançar as suas enormes redes à água e acabamos por até gostar daquele passeio matinal com que nos despedidos de Hoi An.

Para puderem desfrutar de algo mais organizado fica o link de um passeio semelhante mas feito por profissionais! https://www.getyourguide.com/hoi-an-l831/hoi-an-eco-tour-fishing-village-basket-boat-ride-meal

Atualmente há um local que à data não estava a ser explorado e que vale a pena visitar… estamos a falar da Golden Brigde – https://www.getyourguide.com/hoi-an-l831/explore-golden-bridge-ba-na-full-day-with-lunch-from-hoi-an

Imagem obtida em Pinterst

⭐⭐⭐⭐⭐

Todos os textos são da autoria de Olga Samões e todas as fotografias deste blog são da autoria de José Carlos Lacerda, exceto onde devidamente identificado. Proibida a reprodução de quaisquer textos e/ou imagens sem autorização prévia dos autores

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