Marrocos, 11ª Etapa – Agadir /El Jadida / Casablanca

Pensando nós que os restantes percursos por serem sempre por auto-estradas e ao longo da costa já não apresentariam mais dificuldades, mal sabíamos das agruras que nos haviam de estar reservadas nesta etapa… afinal esta aventura em solo marroquino continuava a surpreender!

Rumo a norte, com o destino final de Casablanca, tínhamos mais uma vez que atravessar uma zona montanhosa acima dos dois mil metros de altitude.

À medida que subíamos a temperatura começou a baixar e vento começou então a fazer “das dele”! Incrédulos por estarmos a verificar que a temperatura descia dos 12 graus sem estarmos vestidos de forma adequadas para tais temperaturas começamos a temer o pior: nem tanto pelo frio que nos gelava os ossos mas devido ás rajadas de vento que vinham de todos os lados e nos sacudiam violentamente…E dos céus veio a “machadada” final! Enquanto progredíamos vagarosamente atrás de um camião que nos dava algum abrigo reparamos que vindos do topo da montanha que ainda estávamos a subir os carros traziam ligados os limpa pára-brisas… sinal de quê?!? Chuva, claro! E dela, uns metros mais á frente, não escapamos…

Foi com um suspiro de alivio que deixamos a montanha para trás e com ela o mau tempo, regressando de novo a temperaturas mais condizentes com um pais africano!

No caminho, fazendo uma pausa para almoço, visitaríamos El Jadida, a cidade portuguesa, aproveitando para conhecer a antiga cisterna lusa, recentemente descoberta e que era utilizada para recolher a água das chuvas e possibilitar assim dar água aos portugueses dentro da cidade murada, mesmo durante tempos de guerra e cerco. Tínhamos lido que é simplesmente maravilhosa a vista espelhada das 25 colunas e do buraco superior que deixa entrar luz na água de palmo de altura no chão. No entanto, lá chegados, deparamo-nos com tudo encerrado e assim não pudemos apreciar este local onde a presença portuguesa em Marrocos faz também se fez sentir e que nos tinha levado a fazer um desvio ainda significativo no percurso. O dia não estava, definitivamente, a correr como esperávamos…

E foi já ao fim da tarde que chegamos a Casablanca. Íamos já a contar com uma cidade que não tem muito para ver e de facto parece-se muito a uma banal cidade europeia, mais suja e menos civilizada. Trata-se da capital financeira de Marrocos, onde vivem mais de cinco milhões de pessoas e cujo porto, construído no início do século XX é um símbolo do sucesso económico da cidade.


Ficamos bem instalados no Hotel Goldem Tulip Farah Casablanca – https://www.booking.com/hotel/ma/golden-tulip-farah-casablanca.pt

Casablanca é uma cidade que vive no imaginário de todos, potenciado pelo filme com o mesmo nome protagonizado por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. E foi no cenário deste filme, no “Rick`s Café” onde se desenrolava grande parte da trama, situado perto do porto da cidade que tivemos o privilégio de saborear um fabuloso jantar, á luz de velas e ao som do piano… para ser perfeito faltou apenas o pianista tocar o “As Time Goes By”!!!

O seu local mais famoso é, no entanto, a “Mesquita Hassan II”, uma das duas mesquitas em todo o Mundo (a outra é a “Mesquita Azul” em Istambul) onde é permitida a entrada de não muçulmanos. As suas visitas são guiadas e em horários pré-estabelecidos pelo que deixamos para o dia seguinte conhecer por dentro esta moderna construção do mundo árabe. Mas logo nessa noite ficamos impressionados… praticamente de toda a cidade é visível o seu minarete, o mais alto do mundo, com 210 metros de altura e que se evidencia, na noite, devido ao laser que aponta para Meca com um alcance de cerca de 30 quilómetros…

Em jeito de passeio e para fazer digestão do jantar, deslocamo-nos ao longo da avenida marginal que liga o “Rick`s Café” á Mesquita e pudemos desde logo observar de perto o seu exterior… imponente quer por se tratar da terceira maior do mundo, atrás da Mesquita de Meca e da Grande Mesquita de Jerusalém ocupando uma área com cerca de 9 hectares, quer porque nos proporcionou o encontro com milhares de fieis que saíam após a derradeira oração do dia. Não sabemos ao cerco quantos estariam por lá naquele dia, só que a sua capacidade é de cento e cinco mil pessoas repartidas entre a sala de oração e o seu pátio externo e por estarmos na época do Ramadão as orações costumam estar sempre lotadas…

Mas, no dia seguinte, e ainda antes da partida rumo ao nosso destino final em Marrocos, Asilah, não dispensamos a oportunidade única de conhecer por dentro a Mesquita Hassan II, rica em detalhes e dotada duma tecnologia de construção surpreendente.

Como a única visita disponível para este dia estava marcada para as nove horas da manhã e como ainda ficava a uns três ou quatro quilómetros do hotel onde nos encontrávamos hospedados decidimos apanhar um táxi para não chegarmos atrasados e perdermos a oportunidade de entrar numa mesquita muçulmana e poder ver de perto o baluarte de uma cultura cheia de riqueza e encantamento que, ao meu ver, deverá ser separada dos acontecimentos internacionais que ocorreram nos últimos anos da responsabilidade de um grupo de extremistas que não podemos confundir com a sua população em geral.

O trânsito em Casablanca, aliás como em todas as cidades marroquinas, é caótico e não estava fácil apanhar um táxi vazio no meio daquelas movimentadas avenidas… então, já envolvidos no espírito local, decidimos fazer paragem ao primeiro que passa-se, mesmo que já tivesse ocupantes!

O resultado foi imediato e, no mínimo caricato… o taxista de um fiat Uno a cair de podre e que seguia encostado á faixa esquerda travou a fundo ao nosso sinal e atravessou toda a avenida em nossa direção, alheio a todas as apitadelas e insultos de que estava a ser alvo por parte dos restantes automobilistas!

Entramos para junto da uma senhora marroquina, muito recatada, véu na cabeça que lhe cobria também o rosto e que mal olhou para nós…deve ter levado o susto da vida dela! E na sua companhia seguimos até ao hospital, um breve desvio da mesquita para onde nos dirigíamos mas que assim permitiu que todos nós chegássemos ao nosso destino. Mais uma experiência a reter…

À luz do dia a Mesquita Hassan II é ainda mais impressionante pois só assim temos noção da sua construção sobre as águas do oceano Atlântico. Foi nesse local construída devido ao versículo do Alcorão tendo antes do início de sua construção, o rei Hassan II declarado a este propósito “Desejo que Casablanca seja dotada de um edifício amplo e belo do qual possa orgulhar-se até o final dos tempos … Eu quero construir esta mesquita na água, porque o trono de Deus está sobre a água. Portanto, os fiéis que lá irão para rezar, para louvar o Criador em solo firme, poderão contemplar o céu e o mar de Deus.”. E bem se pode dizer que o rei cumpriu sua promessa presenteando Casablanca com uma bela mesquita construída com tecnologia de ponta, que impressiona qualquer um, independente da religião.

Comprados os bilhetes de entrada foi-nos “atribuído” um guia que falava português e que nos acompanhou explicando todos os detalhes e pondo-nos a par de todo o ritual que a entrada e oração na mesquita envolve. Antes de mais, antes de entrar é necessário tirar os sapatos, que são armazenados em sacos plásticos entregues aos visitantes.

Já lá dentro ficamos impressionados com as suas dimensões internas e maravilhados com a sua beleza.Começamos por visitar a sala de orações que possui uma área com capacidade para vinte e cinco mil pessoas e está dividida em dois níveis: o piso térreo usado para os homens e dividido em três naves simétricas, voltadas em direção à Meca e duas “varandas” para as mulheres, que possuem uma entrada separada

Está dotada de um sistema de aquecimento no solo radiante e caixas de som espalhadas, de forma muito discreta, para que todos possam ouvir a voz do líder da oração. Mas foi o seu teto aquilo que mais nos marcou: pesa 1.100 toneladas e possui uma área de 3.400 m². Trata-se de uma estrutura metálica tridimensional coberta com madeira de cedro entalhada e pintada que se abre de forma aos fieis poderem orar, conforme o desejo do rei Hassan II “vendo o céu e o mar de Deus” e que pudemos observar em “ação” abrindo-se como por magia.

Descemos depois á sala de ablução. Este é o local onde os fiéis se purificam antes da oração: lavam 3 vezes as mãos, boca, nariz, rosto, braços, cabeça, orelhas e pés até a altura do tornozelo. Esta sala é  de uma beleza incrível representando cada uma das suas inúmeras fontes a flor de lótus. E visitamos, por fim, a Sala do Hammam que combina as funcionalidades e a estrutura dos seus predecessores, termas romanas e banhos bizantinos, com a tradição turca dos banhos de vapor. E demos por fim esta gratificante visita a esta obra prima da arquitetura árabe- muçulmana.

⭐⭐⭐⭐⭐

Todos os textos são da autoria de Olga Samões e todas as fotografias deste blog são da autoria de José Carlos Lacerda, exceto onde devidamente identificado. Proibida a reprodução de quaisquer textos e/ou imagens sem autorização prévia dos autores

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