Marrocos, 8ª e 9ª etapas – Ouarzazate / Marraquexe / Essaouira / Marraquexe

8ª etapa – Ouarzazate / Marraquexe

Mais uma vez previamente alertados pelo nosso amigo Bob que no caminho para Marraquexe iríamos encontrar no topo de uma montanha vários troços em obras com desvios por estradões de gravilha, decidimos sair bem cedo temendo que a viagem se alongasse para além do esperado. Despedimo-nos do dono da Riad onde pernoitamos, já “grande amigo” e fizemo-nos ao caminho…

E de facto, estes 200 quilómetros não foram “pêra doce” de fazer… tínhamos que atravessar a zona de Tizi n’Tichka, na cordilheira do Alto Atlas, situada a 2. 260 metros de altitude onde a estrada ficava muito estreita e em mau estado, cheia de buracos. Daí as obras de alargamento que por lá andam a fazer aproveitando também para colocar um novo tapete de asfalto. Mas isso obrigou-nos a ter que ultrapassar os anunciados desvios em terra batida e gravilha solta em péssimas condições, cheios também eles de buracos e lombas que a cada curva tínhamos que fintar para tentar salvar os pneus, num autêntico ziguezague todo o terreno.

Marraquexe

Chegámos a Marraquexe no fim da manhã. A confusão estava por lá instalada: carros, motas, burros, cavalos, camiões carregados com mais de cinco metros de altura, carroças, carros e mais carros, e milhares de pessoas a atravessar a estrada todas ao mesmo tempo, sem olhar… Estávamos de volta ao caos de uma grande cidade marroquina onde a única regra de trânsito que é cumprida é o limite de velocidade para os estrangeiros!

O hotel escolhido situava-se muito perto do centro nevrálgico da cidade de onde era possível avistar desde a piscina a famosa torre da mesquita da “Koutoubia” uma vez que se situava mesmo no fundo dos seus jardins e portanto também a dois passos da não menos famosa praça Jemaa el Fna”.

Link hotel – https://www.booking.com/hotel/ma/chems.pt

Fazia parte do nosso plano de viagem ficar por Marraquexe durante dois dias explorando os seus encantos e com tempo ainda para relaxar no spa do hotel que fornecia massagens ao estilo árabe, as chamadas hamman”.

Debaixo de um calor intenso tomamos naquele dia a pior decisão que poderíamos tomar… tentar ir arranjar um local para comer junto da praça “Jemaa el Fna” por acreditarmos que por aí nos serviriam o almoço uma vez ser este o local mais turístico da cidade. No entanto e apesar de levarmos connosco o guia turístico com o mapa local não conseguimos encontrar a praça! É verdade, por mais incrível que possa parecer acabamos sempre por nos desviar por ruas erradas em direções completamente distintas e não formos capaz de dar com aquela enorme praça… O sol tórrido em cima das nossas cabeças aliado ao facto de andarmos por sítios sujos e desinteressantes cheios de oficinas de automóveis velhos amontoados, sem sombras para nos resguardar, estava a deixar-nos completamente atordoados e a obscurecer o nosso sentido de orientação. Parecíamos andar em círculos indo sempre para ao mesmo local. Os estômagos vazios também já não ajudavam e sentindo-nos cada vez com menos energia, inclusivamente tendo-me eu sentido de tal forma mal que pensei que iria desfalecer!

Regressamos então ao hotel e por aí comemos e passarmos o resto da tarde na piscina, recompondo-nos daquela fatídica incursão pelas ruas da cidade.Para aquela noite tínhamos combinado jantar com os nossos recentes amigos do “Aubergue do Sud” que entretanto tinham seguido diferentes rotas mas que por coincidência se encontravam ainda nessa noite também em Marraquexe. O ponto de encontro era junto à farmácia, na tal praça que não tínhamos conseguido antes encontrar! Mas claro que pela fresca, devidamente hidratados e relaxados fomos lá dar diretos, perguntando-nos como nos tinha escapado horas atrás…

A inconfundível praça “Jemaa el Fna” é mesmo uma paragem obrigatória… epicentro da vida noturna da cidade, considerada Património da Humanidade pela UNESCO não pela arquitectura mas pelo que nela se passa por lá encontramos de tudo um pouco: encantadores de serpentes, macacos, artistas, pintores, malabaristas, cartomantes que prometem acertar no futuro, mulheres sempre prontas a fazer uma tatuagem de henna, percussionistas, contadores de histórias, vendedores ambulantes e um movimento fervilhante de turistas que se misturam com as gentes locais. Um local contagiante com uma atmosfera confusa de ruídos e cheiros intensos inesquecíveis. Não vimos, o entanto por lá o seu famoso dentista sempre pronto a arrancar “in loco” os dentes dos seus clientes, que guarda como recordação e exibe orgulhosamente num tapete colocado no chão junto a si…A praça imensa é ocupada também por muitas barraquinhas e toldos brancos, onde estão instalados vários restaurantes, pontos de petiscos e várias bancas repletas de laranjas onde se pode beber sumo fresco… Foi lá que jantámos no dia seguinte.

Neste dia decidimos ter uma visão “aérea” do local e por isso optamos pela esplanada/varanda do “Café Argana”, um dos mais famosos restaurantes da praça, não pelos melhores motivos mas por ter sido lá que em 28 de abril de 2011 ocorreu um atentado reivindicado pela “Al Qaida” que fez explodir uma bomba colocada numa mala e acionada remotamente que causou 17 mortos e 25 feridos de várias nacionalidades.

Após o jantar e em modo de caminhada para ajudar á digestão da bela refeição que tivemos no Café Argana ainda passeamos estreitas ruas que formam a Medina de Marraquexe vivendo mais um pouco o seu ambiente frenético. 

O dia 13 de junho, o nosso décimo dia de viagem por terras marroquinas, era totalmente dedicado a “viver” Marraquexe e para tal nada como começar pela Medina nos seus movimentados “souks”. Percurso pré delineado e otimistas quanto á possibilidade de não nos perder no emaranhado das sua ruelas fizemo-lo sem qualquer ajuda para alem do “mapa na mão”…

Fomos bem sucedidos… mas é sempre um risco! Para os mais ajuizados fica aqui o link para uma tour privada com guia – https://www.getyourguide.com/marrakech-l208/marrakesh-like-a-local

E definitivamente este é dos mercados mais coloridos e diversificados que visitamos, existem souks para tudo: de sobremesas altamente açucaradas a especiarias e temperos picantes, de frutas maduras ou secas a objetos de arte, de produtos eletrônicos a tapetes tradicionais confeccionados por berberes…

Começamos a nossa jornada na praça principal Jemaa el-Fnaa seguimos para o interior onde a grande maioria das ruelas raramente têm mais de dois metros de largura pelo meio de centenas de pessoas, lojas, pessoas a andar de burro, motas e toneladas de loucura…

Por ali perguntar o preço de algum produto é iniciar um movimentado processo em que o regatear é a ordem do dia, com ofertas e contra-ofertas, lamúrias e invocações, desculpas esfarrapadas e uma gama de atitudes teatrais, marca registada de um bom comerciante árabe! Se a venda é concluída, abundam sorrisos mas quando não há negócio fechado são comuns os “resmungos” e palavras incompreensíveis que não soam como elogios… Mas não passar por isso não é “viver” aquele local e portanto foi o lugar escolhido para trazer a  lembrança marroquina para adornar o “vitral” onde estão em exposição os vários objetos que tenho tido oportunidade de trazer de todo o Mundo: o bule onde servem o delicioso chá de menta

Seguindo o nosso caminho fomos verificando que muitas lojas não são apenas locais de venda mas também de fabricação. Há ruelas para artesãos de ferro e de cobre, para joalheiros que produzem peças em ouro e em prata, para fabricantes de roupas e dos típicos sapatos marroquinos, os babuches .

Os que mais nos chamaram á atenção foram o souk das especiarias com os cones decorativos de paprica, de açafrão-da-terra e de outros condimentos cheios de cores e de onde exalam aromas que despertam os sentidos e o apetite e o souk dos tintureiros polvilhados de novelos de lã recém-tingidos, pendurados ao ar para secar

Atrevemo-nos a entrar “mais dentro” deste último, convidados pelos seus artesãos que enrolavam a lã nos próprios braços e a mergulhavam em imensas tinas cheias da tinta com a coloração desejada. Mostraram-nos os diversos “pós” naturais com que faziam as tintas, sempre com o intuito de venderem algo, obviamente!

E foi nesse local que um senhor já com certa idade insistentemente nos convidava a conhecer a sua “fábrica” com a promessa de vermos o que são as autenticas cores naturais e de subir ao terraço panorâmico para termos uma perspectiva “de cima” da medida de Marraquexe. Várias vezes o alertamos que não estávamos interessados em comprar nada ao que constantemente nos respondia que “mirar és grátis” e acabamos por o seguir…

Vimo-nos então numa “casa” privada onde várias pessoas trabalhavam tingindo os tecidos. Não nos sentíamos muito seguros pois afinal éramos nós os dois ali sozinhos com várias pessoas, algures no meio da medida de Marraquexe, sem saber muito bem voltar para trás… algo que já não era inédito, verdade! Mas aquele ambiente parecia-nos um pouco mais hostil que a nossa incauta visita de Ouarzazate… pedimos então para regressar ás ruas dos mercados e foi aí que a “parte vendedora” veio à superfície tentando a todo o custo impingir-nos um lenço com as verdadeiras cores naturais de Marrocos! Se calhar de forma um pouco imprudente exaltei-me com este marroquino agora já com “cara de poucos amigos” dizendo-lhe que desde inicio o tinha alertado que não estávamos interessados em comprar nada, virando-lhe de seguida as costas e percorrendo de volta o caminho que tínhamos feito, embora pouco segura de que fosse realmente este o certo. Ao longe ainda o ouvimos, chateado, a lançar umas quantas pragas em árabe mas felizmente este episódio ficou por aqui e com alguma sorte estávamos de volta ás ruas movimentadas dos mercados.

E foi por entre as cores dos tapetes, as especiarias, frutas e legumes frescos e as lanternas de ferro, que seriam uma perdição caso não viajássemos de mota impedindo assim o seu transporte, que abandonamos a medida.

Tínhamos entretanto desistido da possibilidade de fazer a tradicional massagem “hamman” por estarem completamente esgotadas no hotel onde estávamos e porque a realização das mesmas num hamman público implicaria que nos separássemos num local desconhecido por serem separados os balneários para homem e mulher. Uma experiência que ficou por fazer…

Fica aqui no entanto um link com a possibilidade prévia de aquisição para quem tiver interessado – https://www.getyourguide.com/marrakech-l208/spa-marrakech

A visita a jardins, museus e palácios da chamada “cidade vermelha” marroquina não era algo que nos atraísse muito. No fundo aquilo que nos faltava por ali fazer só o poderia ser feito à noite, quando a praça Jemaa el-Fnaa ganhava de novo vida, que era comer nas banquinhas…

Lembramo-nos então de sair da cidade e ir conhecer Essaouira, situada a cerca de 200 quilometros, na costa litoral atlântica. Mas antes do por do sol estávamos de volta, ainda registando da varanda do quarto a sirene que punha fim a mais um dia de jejum de Ramadão. Decididos a voltar à famosa praça para aí jantar esquecendo o medo de vir a ficar doentes devido à nítida falta de higiene mas “compensada” pelos cheiros e a autenticidade do local, percorríamos o caminho do hotel até lá quando nos começamos a aperceber da incalculável quantidade de pessoas que andavam na rua e ainda do maior número de carros, bicicletas e motoretas estacionadas ao monte por todos os locais possíveis e imaginários…

Ao longe podíamos também ouvir as orações provenientes dos altifalantes do minarete da mesquita da Koutobia.

Ao passarmos ao lado desta reparamos na barreira policial e apesar de estarmos convencidos que não nos deixariam passar por não sermos muçulmanos a verdade é que quando nos aproximamos e perguntamos se poderíamos nos dirigir para mais perto da mesquita não nos vedaram o caminho. Inúmeros fiéis por lá rezavam: velhos, novos, alguns trajando túnicas brancas até aos pés, descalços das suas características sandálias de couro e a maioria com o seu pequeno tapete sobre o qual se ajoelham para rezar. Era de tal forma o número de pessoas que transbordavam as portas abertas da mesquita. Todos virados para Meca, homens à frente, mulheres a trás, dispostos em fila milimetricamente paralelas, milhares de pessoas em oração, numa silencio sepulcral…um momento intenso e extremamente simbólico, quer pela sua simplicidade quer pela oportunidade única de o presenciarmos…uma imagem que guardámos como a mais fascinante de Marraquexe.

Ao longe já se avistavam os incontáveis fios de lâmpadas que iluminavam o frenesim de pessoas, comida e vapores de cada tenda da praça Jemaa el-Fnaa… imiscuímo-nos no seu ambiente mais uma vez assoberbados com tamanha vida e agitação! Entrámos no novelo de restaurantes ambulantes e fomos logo assediados pelos vários empregados “caça-clientes”: perguntavam-nos de onde vínhamos e todos soltavam expressões na nossa língua quando lhes respondíamos “Portugal”. Atravessámos toldos e toldos sem fim todos repletos de pessoas até regressamos ao primeiro onde conseguimos descobrir uns lugares vazios e sentámo-nos junto a um grupo de outros turistas e a uma mulher completamente vestida de negro, com a face tapada onde nem os olhos pareciam visíveis… impressionante vê-la ter que habilidosamente meter a comida á boca por baixo do véu!Naquela como em todas as outras tendas, os pratos são ali mesmo confecionados sob o olhar atento e curioso dos clientes, não há paredes, barreiras nem proteções, é tudo ao vivo e em direto! Saboreámos o cuscuz e a “pastilla” deixando-nos envolver pelo cheiro das especiarias e pela banda sonora do local: o borbulhar dos cozinhados e o barulho das colheres de pau a girar nas grandes panelas de metal misturado com as vozes dos turistas que por ali abundam numa fusão de idiomas difícil de entender… uma melodia que jamais iremos esquecer enfeitiçando-nos e seduzindo-nos por aquela cidade cor de rosa.

9ª Etapa – Marraquexe / Essaouira / Marraquexe

Foi no mesmo dia 13 de junho que realizamos esta etapa que no entanto decidimos “autonomizar” quer pelo facto de termos conhecido outra cidade “Essaouira” situada a cerca de 200 quilómetros de Marraquexe quer porque desta vez o percurso ter sido feito a bordo de um outro meio de transporte que muitas histórias deixou para contar…

Em busca de mais algum conforto proporcionado por quatro rodas e um ar condicionado, decidimos deixar a mota descansar e alugar um carro para esta viagem…

Chegando perto dum estabelecimento numa das ruas principais que anunciava nos seus reclames “rent a car”  fomos recebidos por um senhor que nos levou a um outro local para mostrar o carro… estranhamos desde logo mas lá o acompanhamos pela ruas mais interiores. 

Lá, apresenta-nos um Dacia Sandero quase novo, que nos agradou… Acerta-se preço e tal mas quando vamos sair diz ele: “ Ah! peço desculpa mas afinal este carro não tem o imposto pago… Vão ter de levar este aqui!”… Outro Dacia, agora um “Logan”! De facto era um upgrade só que, instantes depois de novo a mesmo conversa: afinal aquele também não podia ser pois o “patrão” tinha-o  trazido de casa e esqueceu dos documentos… “No problema ” dizia ele, arranjar-se-ía  outra solução. E com isto dirigiu-se a uma garagem, tipo oficina, onde um outro Logan que estava estacionado de frente para a parede e completamente inacessível por estar tapado o seu acesso por um carro sem rodas… Não dava para o tirar de lá!

Com a paciência já a esgotar começamos a dizer que era melhor esquecer tudo e que já só queríamos era o dinheiro de volta… Vendo o seu negócio em perigo o patrão resolveu meter-se dentro do carro e começou a manobra-lo para o tirar de lá: duas batidas na parede e trinta e sete manobras depois e não conseguiu que se mexe-se um milímetro!

A solução encontrada foi então chamar meia dúzia de empregados que à mão levantaram a traseira do carro e o direcionaram de forma ao carro conseguir sair.

Uma nota… este carro não nada tinha a ver com os anteriores… 133.000 quilómetros que mais pareciam 250.000, nojento por dentro e no “casco”, obviamente!

E para piorar a situação mal saiu do local acendeu a luz de avaria do motor e começou a soluçar. Há que voltar para trás e reclamar o problema. Desfeito em desculpas, o patrão chama o mecânico para ver o carro… abre o capot e dá três ou quatro aceleradelas a fundo com o mecânico de mãos ainda enfiadas no motor, desliga duas fichas, vê o óleo e volta a fechar o capot dizendo “Now it is ok!”.

No entanto, eram agora visíveis não uma mas duas avarias no painel frontal. Alertado para este facto e com a cara mais descansada do mundo voltou a dizer “Don´t worry! Mechanic say it is ok, so it´s OK!”.

Saturados da situação nem quisemos mais saber… a verdade é que andou quase 400kms, nunca parou e até já nos estávamos a habituar ao seu constante soluçar e a só ter “Cruise Control” quando uma das avarias apagava do quadrante…

Atestado o carro e finalmente a caminho, percorríamos descontraidamente no conforto dum ambiente climatizado, ao som da rádio marroquina, a movimentada estrada nacional quando fomos parados por um controlo policial… tantos quilómetros até ali percorridos de mota e tínhamos que ser apanhados de carro em excesso de velocidade!

Confrontados com a fotografia do radar portátil que acusava 71 km/h numa zona de 60 km/h… nada mais havia a fazer senão pagar a multa.

Só que a verdade é que com o aluguer do carro e o deposito que tínhamos enchido de gasolina restavam-nos pouco mais que 100 dirahms! Ou seja, não tínhamos como pagar os 300 dirahms que nos estavam a exigir de multa e para piorar a situação verificamos que com as várias peripécias que tinha envolvido o aluguer do carro nem na posse dos nossos passaportes estávamos…tememos o pior!

Felizmente a policia estava muito pouco preocupada com a ausência dos nossos documentos estando apenas interessada em receber o dinheiro…diziam eles: então andam assim sem dinheiro?!?! e lá lhe explicamos que tínhamos gasto os dirahms com o aluguer e com a gasolina e planeávamos fazer um levantamento multibanco quando chegássemos a  Essaouira. Em face desta resposta fizeram outra proposta: “podem pagar os restantes 200 dirahms que lhes faltam em euros”… dão-nos 20 euros e fica o assunto resolvido!

E lá tivemos que lhes voltar a explicar que não estávamos na posse de mais dinheiro nenhum, nem dirahms, nem euros. A única possibilidade era deslocar-nos ao multibanco mais próximo e fazer um levantamento. Foi nítido que isto não lhes agradava, provavelmente não existiam naquela zona, e contrariados informaram-nos que para tal teriam que ficar com a carta de condução…

Apesar de não estarmos em condições de “regatear” dissemos logo que essa solução estava fora de questão…primeiro porque não íamos deixar assim o documento correndo o risco de quando regressássemos eles já não mais estarem por ali e depois porque se assim o fizéssemos passávamos a conduzir sem documentos incorrendo noutra violação do código da estrada ainda mais grave do que aquela de excesso de velocidade.

Após ter que ir contando o nosso infortúnio aos vários escalões da hierarquia policial por ali presentes acabamos por ser “desculpados” pelo “big boss” que nos mandou seguir viagem apenas com a advertência de não mais infringirmos as regras! A sorte tinha estado do nosso lado…mas não mais facilitamos! Se as placas indicavam como limite 10 km/h era a 9 km/h que seguíamos…

Chegámos a Essaouira com vontade de vingar todas aquelas contrariedades com a merecida recompensa do litoral…

O ar fresco da praia fazia-nos esquecer o calor insuportável que já tínhamos tido que tolerar longe da costa. A sua praia extensa e ventosa fazia-nos pela primeira vez em território marroquino arrepios de frio e por isso nem tivemos a tentação nos dos aventurarmos pela areia, leve e fina, que levantava voo à mais pequena brisa e procuramos no seu centro nevrálgico, dentro das portas da sua Medina, um local para um almoço tardio…

Na companhia de alguns gatos vadios em busca de uns restos que caíssem “inadvertidamente” dos nossos pratos, numa esplanada à sombra saboreamos um peixe fresco grelhado envolvidos num silêncio acolhedor que surte tranquilidade nos transeuntes que por lá andam. Depois ainda passeamos relaxadamente pela sua malha urbana, caiada de branco, onde abundam lojas de tapetes e artigos de pele que cobrem as paredes dos edifícios de um lado ao outro das vielas e finalmente pelo seu porto, recheado de pequenos barcos azuis de pesca e cujas muralhas e fortaleza foram cenário de várias cenas da famosa serie de televisão “Game of Thrones”…um local lindo enriquecido pelas gaivotas planando ao vento enquanto o sol calmamente descia para se por no mar…

Caso não tenham meio de transporte e não se queiram aventurar por “rent a cars duvidosas” como nós fizemos… fica aqui o link para uma tour a Essaouira pelo Getyourguide que acaba por ficar bem mais em conta que o aluguer e o combustível!!! – https://www.getyourguide.com/marrakech-l208/day-trip-essaouira-from-morocco

Após desfrutarmos daquela pausa no calor dos últimos dias, partimos de novo para Marraquexe com o cheiro a mar entranhado na pele. Em breve para lá voltaríamos a rumar, agora mais a sul…destino: Agadir.No regresso pudemos presenciar mais uns quantos “quadros” do quotidiano marroquino. Junto às bermas havia muitas bancas improvisadas nas carrinhas de caixa aberta que ocupavam a via, fazendo-nos abrandar, onde os melões amarelos se destacavam entre os outros frutos e legumes, pedindo aqui e ali mais uma fotografia…

Tínhamos planeado seguir viagem no dia seguinte em direção a Agadir impossibilitando-nos de conhecer as Cascatas de Ouzoud, situadas a cerca de 150km a Norte de Marraquexe… foi uma má opção, viemos a constatar, pois como poderão ler no nosso artigo sobre Agadir foi este o local que menos gostamos em Marrocos!

Por isso fica aqui o nosso conselho, uma vez rm Marraquexe não deixem de fazer o passeio de um dia a uma das mais espetaculares cascatas do norte da África. As quedas d’água têm mais de 110 metros de altura, caindo uma sobre as outras e é possivel caminhar por uma rede de trilhos até as piscinas inferiores…

Link da tour em Getyourguide – https://www.getyourguide.com/marrakech-l208/day-trip-to-ouzoud-waterfalls-from-marrakech

⭐⭐⭐⭐⭐

Todos os textos são da autoria de Olga Samões e todas as fotografias deste blog são da autoria de José Carlos Lacerda, exceto onde devidamente identificado. Proibida a reprodução de quaisquer textos e/ou imagens sem autorização prévia dos autores

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