Marrocos, 6ª e 7ª Etapa – Merzouga / Vale do Dadés / Ouarzazate

6ª étapa – Merzouga / Vale do Dadés

As expectativas já se concentravam em torno do próximo destino: as duas gargantas dos vales do rio Todra e do rio Dadés mas ainda tínhamos pela frente a saída pelas pistas de areia até á estrada de alcatrão para continuarmos a viagem…no entanto, com a ajuda dum jipe do hotel que transportou as malas e nos indicou o caminho, tudo correu sem qualquer sobressalto de maior.

Partíamos agora rumo a Tinerhir, a localidade onde desviaríamos para conhecer o vale do Todra, passando por diversas populações locais. De todos os trajetos percorridos foi este o que mais gostámos: nas aldeias que fomos atravessando havia mais gente fora de casa e na rua abundavam os mercados a céu aberto, que atravancavam o trânsito na única via mas que nos permitia um contacto mais de perto com os seus habitantes. Tirei centenas de fotos de cada pormenor que surgia a cada curva…infelizmente todas se perderam com a máquina que inadvertidamente me caiu do bolso já no fim desta etapa. Um sentimento de frustração enorme nem tanto pela máquina em si mas por ficar sem tantos registos, tão autênticos e únicos, tão irrepetíveis…ficarão apenas para sempre na memória!

Com o deserto para trás uma boa parte deste caminho rumo ao oeste faz-se ao longo de uma estrada que corre paralela ao fértil vale do rio Dadés. O relevo é ainda marcado pela presença do Alto Atlas, a norte, mas o percurso conta com uma via pouco acidentada.

De Tinerhir até às famosas gargantas do Todra é um pequeno passeio de poucos quilómetros, atravessando uma sequência quase ininterrupta de palmeiras, a perder de vista. As mesmas que garantem a continuidade das colheitas de tâmaras e respetiva comercialização que são a alavanca da economia local.

A estrada mais á frente começa a parecer um estreito corredor, cor de laranja, de paredes verticais, tão profundo e abrupto que nem a luz do sol consegue penetrar e alcançar as margens do Rio Todra. Chamam-lhe “Gorges” (garganta) e percebe-se porquê…

A margem e o rio estendem-se lado a lado. Em terra, a estrada de betão serpenteia ao longo do rio e neste, a água corre entre os bancos de seixos, arrastados e amontoados pelas correntes. Muitas pessoas caminham descalças sobre o leito, já que a água lhes dá pelos tornozelos. Na estrada o vaivém de carros e camionetas, camelos para alugar e bancas com turbantes, lenços e mais umas quantas recordações para quem quiser comprar tornam ainda mais demorado fazer o percurso. Paramos no local mais “mediático” e juntamo-nos aos que por ali aproveitavam para se refrescar naquelas águas límpidas.

O próximo destino era Boulmane onde pernoitaríamos no Hotel Xaluca Dadés – Link hotel – https://www.booking.com/hotel/ma/xaluca-dades.pt

Abandonamos o rio Todra e regressamos á N10 para os últimos 50 quilómetros. Não foi, no entanto, um percurso fácil…começou-se a levantar vento de tal forma forte que as rajadas nos fizeram diminuir consideravelmente o ritmo da viagem e temer mesmo uma queda de tal forma nos sentíamos empurrados em várias e aleatórias direções… Ao longe víamos remoinhos de terra a formar-se e a elevar-se no ar de forma assustadora! Um deles, felizmente dos mais pequenos, chegou mesmo a atingir-nos no meio da estrada. Foi também nesta parte da etapa que perdi a máquina que tinha colocado no bolso…provavelmente as rajadas de vento que abanavam o casaco fizeram-na cair sem eu ter dado conta tendo apenas dado pela sua falta já no quarto do hotel quando a procurava para rever as fotos tiradas.

A pequena localidade de Boulmane não tem muito para oferecer. Por isso, após um breve almoço no hotel, único sitio onde nos foi possível fazer uma refeição pois devido ao Ramadão todo o comércio se encontra com horários alterados, nomeadamente os restaurantes que só abriam para o jantar decidimos fazer uma incursão pelo vale do rio Dadés acima.

Seguimos vários quilómetros com algumas perspectivas notáveis sobre o vale onde os oásis verdes e os kasbahs do interior se misturam com a rocha avermelhada caracterizada pelos “dedos de macaco” dando á paisagem uma tonalidade bicolor que parece ter sido pintada a pincel, até que a estrada começou a ficar em muito mau estado devido ás obras inacabadas de que estava a ser alvo, o que fez com que tivéssemos que regressar sem atingir o seu topo e assim ter a perspectiva da sua famosa estrada em ziguezague serpenteando na montanha. 

7ª etapa – Vale do Dadés / Ouarzazate

Esta pequena etapa, de cerca de apenas 100 quilómetros foi incluída pelo facto de nos estar a “sobrar” tempo e assim pudermos fazer de uma forma mais relaxada a viagem nesta zona já mais acidentada e também para nos permitir ir fazendo vários desvios da “rota” visitando os vales dos rios por que íamos passando bem como os pequenos povoados…

Dado já estarmos em pleno Verão não tivemos oportunidade de observar os esplêndidos roseirais de El Kelaa M’Gouna, acabando apenas por nos aperceber do grande comércio do perfume de rosa resultante da produção massiva que aí se faz podendo a colheita floral pode chegar às vinte mil toneladas de rosas durante os meses de maio e junho.

Mas nem por isso o percurso foi menos interessante pois toda esta região está polvilhada de belos kasbahs, a grande maioria abandonados e em ruínas, castelos fantasmagóricos que parecem saídos de um livro de ilustrações, que a luz do sol intenso incendeia de vermelho, alguns entrevistos entre os palmeirais dos oásis presenteando-mos mais uma vez com os contrastes de cor que tanto caracterizam este país.

Chegamos a Ouarzazate ainda pela manhã e deparamo-nos com uma cidade parada, sem grande beleza arquitetónica, muito suja e que nos pareceu, á primeira vista, desinteressante…

Tínhamos escolhido para aqui pernoitar uma “Riad”! Quando comecei a ler sobre este tipo de alojamento no planeamento da viagem, fiquei completamente encantada e certa de que nos deveríamos nos hospedar num…  Uma “Riad” marroquino é uma casa senhorial ou palácio antigo com um pátio no seu interior, geralmente pequenos, geridos por uma família local que os recuperou e os adequou á hotelaria. O escolhido, “Riad Ksar Aylan” reservava-nos algumas surpresas…

Situado na outra margem do rio, na zona mais periférica da cidade, antes de mais não foi fácil de encontrar: o local onde o GPS nos dizia que tínhamos chegado ao nosso destino era uma avenida cheia de casas de pneus, de peças de automóveis arrumadas de forma caótica e de oficinas sujas e rudimentares, nada nos sugerindo a existência de qualquer tipo de alojamento naquelas bandas…

Após duas ou três tentativas em percorrer a avenida mais para cima ou mais para baixo dando margem de erro á localização das coordenadas optamos por parar na bomba da gasolina para aí pedir informações. Depois de muitas dificuldades de comunicação por aí não saberem falar inglês e nem o nosso nem o francês deles ser uma língua que dominávamos lá conseguiram entender o que procurávamos e deram-nos instruções de como lá chegar…até ficava ali relativamente perto! Tínhamos que abandonar a avenida principal e virar para uma ruela assustadora pelo meio de casas degradadas e mais á frente encontraríamos uma placa indicativa do local. Seguimos a medo pelo caminho indicado ficando cada vez mais aterrorizados quando a tal placa nos indicava uma travessa ainda mais suja e apertada entre casas sem portas e janelas, num cenário propício a um filme de terror!

Finalmente, num beco sem saída, todo ele em terra batida, reconhecemos a porta da entrada do nosso Riad…estava fechada pelo que batemos á porta utilizando os característicos batentes de ferro em forma de “mão de Fátima” que simbolizam os cinco pilares do Islão: a fé, o jejum no Ramadão, a peregrinação a Meca, a oração e a caridade. Enquanto esperávamos éramos assaltados pela tentação de abandonar aquele local e tentar arranjar alojamento numa nos hotéis de cadeias internacionais, tipo “Íbis”, que tínhamos visto no centro da cidade… Felizmente não o fizemos!

Fomos recebidos por uma rapariga que não sabia falar inglês, que não sabia nada sobre a nossa reserva e que nos informou que o dono não estava. Entramos mesmo assim na casa para um corredor estreito com uma secretária improvisada para receber os hospedes e onde um operário arranjava o chão de acesso ao seu pátio interior. Fomos então informados que já tinham contactado o dono e que este vinha a caminho e que poderíamos, entretanto, ver as instalações… Uma vez que já estava paga a estadia, nada tínhamos a perder em ver o espaço e se não nos agradasse tínhamos sempre o recurso em pernoitar num outro local.Subimos ao primeiro andar e quando entramos no quarto ficamos abismados…enorme, bem decorado, com todas as comodidades de que não estávamos á espera, o mais bonito de toda a nossa estadia! Tínhamos tomado a decisão tinha sido a certa em insistir naquele local não só pela sua fabulosa arquitetura mas também e essencialmente pelo estilo de hospedagem e o tratamento que recebemos naquele local.


Já não o conseguimos localizar no Booking, por onde reservámos mas esperamos que continue em funcionamento, nós adoramos!


Aproximava-se a hora de almoço e estando fora de questão uma refeição na riad onde respeitavam o jejum imposto naquele mês deixamos a bagagem no quarto e voltamos á mota para nos dirigirmos ao centro da cidade. Aí Passamos pelo Kasbah de Taourirt, o antigo palácio-fortaleza do pachá El Glaoui, construído no século XVIII e pelo museu do cinema mas nenhum deles nos suscitou curiosidade para visitar.

Enquanto circulávamos um pouco “á toa” nas suas ruas desertas uma vez que tudo se encontrava fechado reparamos num restaurante que tinha na sua pequena esplanada turistas a almoçar… Nem hesitamos, parámos logo ali para fazer a nossa refeição! Foi uma grande sorte termos dado com aquele local pois para alem de bem servidos tivemos direito a um “ar condicionado” original: pequenos vapores de água fresca eram periodicamente lançados pelo furos dos tubos colocados na parte posterior da cobertura da esplanada refrescando o ambiente!

Para a parte de tarde tínhamos deixado a visita a Aït Benhaddou, nas proximidades de Ouarzazate e que está na lista UNESCO como património Mundial da Humanidade. Estávamos previamente avisados pelo nosso recente amigo Bob, que tínhamos conhecido em Errachidia e que por lá já tinha passado, que o caminho que nos levaria a Aït Benhaddou estava em péssimas condições, várias vezes cortado para obras obrigando-nos a desvios por estradões de terra batida e muita pedra solta. Mas mesmo assim arriscamos…

O percurso foi de facto duro fazendo-nos acima de tudo temer um furo dada a quantidade de pedra solta aguçada que saltava à nossa passagem…ainda por cima porque inadvertidamente tínhamos deixado o kit de auxilio na riad com a restante bagagem que tiramos para aliviar o peso da mota.

Aït Benhaddou é uma pequena localidade com a sua mesquita e as suas casas modestas dispostas de ambos os lados da estrada que a atravessa, como tantas outras localidades de Marrocos, com a diferença de que se sucedem várias tendas montadas com artesanato local e várias outras lembranças da zona por serem muitos os turistas que até ali se deslocam. Ao chegarmos não é logo visível o seu famoso Ksar, anunciado em placas rudimentares, escritas à mão, que indicam o seu acesso pedonal por entre as ruelas da população.

Paramos à sombra de uma árvore, na berma da estrada, junto a uma dessas tendas turísticas e logo formos abordados pelo seu vendedor…simpático, descansou-nos logo quanto á segurança de por ali estacionarmos a mota dizendo que ele próprio zelaria pela mesma em troca de fazermos uma visita ao seu “estabelecimento”…

Debaixo dum sol abrasador e cheios de calor devido ás calças e casacos da mota que trazíamos vestidos atravessamos a população na direção indicada pelas placas até um pátio onde, ao longe finalmente pudemos avistar a mítica cidade castanha e lamacenta… uma fortaleza no meio do nada que carrega consigo aquele quê de imutabilidade à passagem das épocas, das vontades e dos costumes, impressionando pela sua aparência e porte cinematográfico.

Na verdade foram já vários os filmes históricos ali filmados, incluindo “Asterix & Obelix”, “Lawrence of Arabia”, “Prince of Persia” e  também foi o local de um episódio da série de televisão “Game of Thrones” (Temporada 3).

O casario barrento cobre por completo a colina rodeado por muralhas defensivas, que protegiam a cidade de ataques inimigos. Atualmente, ninguém vive dentro de portas, a população local vive do lado de cá do rio, seco que permite uma travessia é feita a pé, sobre seixos e lama seca. É no fundo uma cidade fantasma que apesar de bem preservada não consegue contrariar o vazio de pessoas e movimento. Vale pelo postal…

O calor que se fazia sentir demoveu-nos da caminhada até ao seu interior e pouco mais havia para ver e descobrir pelo que regressamos á mota e á companhia do vendedor que amavelmente nos mostrou a sua “loja” e nos ensinou como colocar na cabeça um lenço “tuareg”.

Ainda na saga do cinema, no caminho de regresso era nossa intenção visitar os estúdios onde se fizeram filmes famosos como a Múmia ou o Gladiador mas uma vez que estávamos na época do Ramadão o seu horário de abertura era mais “curto” do que o normal justificado, por um lado, pelo cansaço dos seus empregados que estão um dia sem comer nem beber e por outro porque há que preparar e primeira refeição do dia, o chamado “Iftar” ou “Ftour” mal o sol desapareça. Pelo que de fora conseguimos ver também não deixou pena não termos efetuado estas visitas pois o local parece bastante abandonado e sub aproveitado face as potencialidades que apresenta e assim até nos deixou mais tempo para finalmente assistirmos á tão famosa “quebra do jejum”…

Na verdade, andávamos já há dias a “falhar” presenciarmos este momento… primeiro porque andávamos em pleno deserto, depois porque tínhamos chegado um pouco “atrasados” ao hotel no regresso da visita ás gargantas do Dadés e já só vimos as pessoas com as garrafas de água vazias nas mãos…

Sabíamos que existia um “sinal” para que a população soubesse quando poderiam quebrar o jejum: o famoso grito islâmico pelo altifalante das mesquitas “Alahu Akibar” ou uma sirene vinda dos bombeiros, policia ou exercido local…o resto só imaginávamos! Na nossa ideia, vinham todos para a rua e festejavam o por do sol, comendo finalmente as famosas tâmaras e outros frutos doces que víamos espalhados por todos os mercados e brindando em conjunto. Não podíamos estar mais errados…

O por do sol era esperado naquele dia para cerca das 19:30 e foi com mais de uma hora de antecedência que chegamos novamente á cidade de Ouarzazate. A água que tínhamos levado tinha acabado e por isso fomos reabastecer-nos num mini mercado local. Por uma questão de respeito pela cultura do país e pelas suas tradições evitávamos comer e beber em público e por isso deslocamo-nos para uma rua menos movimentada e sentamo-nos no passeio a coberto da mota para “ás escondidas” matarmos a sede ao mesmo tempo que pensávamos naqueles “pobres desgraçados” sem comer e sem beber o dia todo… só presenciando e sentindo as condições em que Ramadão é lavado a cabo se pode ser uma ideia de quão duro é!

Dirigimo-nos depois para junto da praça principal da cidade para conhecer o mercado. Trata-se dum souk maioritariamente coberto, muito movimentado, onde se vende de tudo um pouco. Um lugar fantástico para entender melhor o dia-a-dia dos marroquinos uma vez que são raros os turistas que por lá andam o que lhe confere uma autenticidade difícil de igualar. Deambulamos pelo meio das gentes quase sem sermos notados… os ânimos estavam a ficar mais tensos e a azafama era total! Já são muitas horas sem comer, beber e fumar…

A mota estacionada junto à entrada do mercado chamava a atenção dos que por ali passavam e foi na sequência de uma brincadeira com um marroquino que aproveitou para tirar uma foto com ela e ao qual pedimos, pelo facto, uns dirahms como era costume local, que ficamos á conversa com ele. Com um espanhol fluente pela facto de já ter trabalhado em Espanha conversávamos sobre a viagem que estávamos a fazer de mota, por onde já tínhamos passado e por onde ainda iríamos quando reparamos que estava constantemente a olhar para o seu telemóvel a “controlar” as horas…sabíamos porquê! Aproximava-se o por do sol… dissemos-lhe então que estávamos ali precisamente para presenciar tal momento, para ver como seria a quebra do jejum.

E, para nosso espanto, ele disse que se por ali ficássemos o mais provável era sermos os únicos na rua…De facto, podíamos ver as pessoas a começar a correr para as suas casa, sorridentes, a desejarem-se bem uns aos outros. O frenético mercado que até ali estava cheio de gente transformava-se aos poucos num espaço silencioso…a razão é simples: a quebra de jejum é feita em privado, entre familiares e amigos. Só depois saem novamente para a oração na mesquita.

E, do nada, um convite inesperado surgiu… fomos convidados por esta pessoa que conhecíamos há meia dúzia de minutos para partilhar com ele e com a sua família, em sua casa, o seu Ftour. Comentei, entre dentes, que tinha lido algures que tal convite, a não muçulmanos, deveria, caso tivéssemos a sorte de com ele ser contemplados, ser considerado uma honra…

Arriscámos… quase nos arrependemos quando nos dirigimos para uns prédios com uma entrada “macabra” em que a luz das escadas não funcionava e cujos apartamentos pareciam abandonados á medida que subíamos!… seria boa ideia acompanharmos assim um estranho não sabíamos bem para onde??? Mas em breve os nossos receios se dissiparam e hoje fica a grande história que temos para contar!

Reparamos que se descalçou a quando entrou em casa e que no hall se encontravam vários sapatos o que era bem demonstrativo daquele costume árabe. Perguntamos que também o deveríamos fazer ao que respondeu que não, que poderíamos estar à vontade. Na cozinha podíamos sentir a azafama da preparação da esperada refeição e fomos encaminhados para a sua simples sala, com um sofá e uma ventoinha e com apenas uma pequena abertura a servir de janela e que dava para a praça principal da cidade. Lá conhecemos o resto da família, seu irmão e primo com quem residia, e ainda um amigo que por lá estava. Sempre muito simpáticos e curiosos com a nossa presença fomos tentando conversar o que nem sempre foi fácil pois mais nenhum dominava o espanhol e o seu inglês era péssimo!

Até que chegou o momento mágico do dia… eram 19:38 quando soou, vindo do quartel militar de Ouarzazate, uma sirene! Era sinal que se tinha posto o Sol e a “ordem” para se poder quebrar o jejum.

Ao contrário do que pensávamos, apesar de tantas horas sem comer eles não “atacaram” a comida e a bebida que estava agora ali à nossa frente, em grande abundância, servida numa mesa de centro “móvel” que tinha vindo posta da cozinha. Uns modestos goles de iogurte liquido, um pouco de pão com queijo um pouco de sopa e fruta e estavam satisfeitos…

Explicaram-nos depois que após tantas horas o estômago não “pede” mais nada! No fundo, come-se mais com os olhos durante o dia em que têm vontade de comprar tudo para mais tarde comer do que depois na realidade o fazem.

Já a outra proibição inerente ao Ramadão, não fumar, é “celebrada” com mais entusiasmo! Na verdade, tratando-se de um vício é bom de ver que nem sempre é fácil lidar com a ausência da nicotina e outras substancias… os ânimos, em geral, começam a ficar mais tensos, ficam melindrados por tudo e por nada! Por isso, reparamos que a verdadeira “fome” dos nossos anfitriões era mesmo a de fumar… respeitosamente, pediram-nos autorização para o fazer ali na sala, na nossa presença enquanto saboreavam o típico chá de menta. Partilhamos obviamente apenas a parte do chá, delicioso por sinal, o melhor que provamos em toda a nossa estadia em Marrocos!

Apesar da sua insistência para lá continuarmos e jantarmos com eles, agradecemos mais esta amabilidade explicando que entretanto já tínhamos combinado com o dono da Riad onde estávamos instalados o jantar para essa noite, pelo que nos aguardavam por lá. Despedimo-nos então destes nossos amigos inesperados com a sensação de que tínhamos vivido uma experiência enriquecedora de que muito poucas pessoas se pode orgulhar.

Após um longo banho para retemperar forças daquele dia que ao início parecia perdido numa cidade sem graça mas que acabou por marcar a nossa viagem pelas suas gentes tínhamos á nossa disposição um “banquete” servido no terraço descoberto situado no último piso da riad, cujas vistas não era das melhores pois parecia que á nossa volta estava instalado o holocausto, de tal forma eram os “telhados inexistentes” das casas inacabadas, sujas e cheias de tralha velha as casas que nos rodeavam, mas cuja decoração típica nos fazia esquecer o que nos rodeava e fazia desfrutar a tajine feita na hora.

⭐⭐⭐⭐⭐

Todos os textos são da autoria de Olga Samões e todas as fotografias deste blog são da autoria de José Carlos Lacerda, exceto onde devidamente identificado. Proibida a reprodução de quaisquer textos e/ou imagens sem autorização prévia dos autores

Este artigo poderá conter links de afiliados. O que são ?  

Ao fazerem reservas pelos links do nosso blogue NÃO vão pagar MAIS por isso e nós ganhamos uma pequena comissão dada pela entidade pela publicidade que lhe fazemos.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s