Leve, Leve – São Tomé e Príncipe

Ilha do Príncipe

Após uma noite mal dormida de 6 horas no voo Lisboa / São Tomé nem do seu modesto aeroporto saímos pois esperava-nos mais um voo interno de cerca de 30 minutos que nos levou até à Ilha do Príncipe… 142 km² de natureza no seu estado mais puro… As imagens aéreas já nos “convenceram” e aumentaram as expectativas… Foi declarada Reserva Mundial da Biosfera, só podia!

Com uma costa vulcânica intocada envolvida num ecossistema tropical onde se misturam diversas culturas africanas com as tradições coloniais portuguesas por esta ilha que se deu o nosso primeiro contacto com a “África Negra”…

Ficamos alojados em Bom Bom, um pequeno ilhéu junto da costa norte da ilha.

Todas as palavras serão sempre poucas para descrever tamanha beleza… Se nunca se apaixonaram à primeira vista, terão aqui a vossa estreia! Impossível não nos perdermos de amores pelo Príncipe “encantado”!

O hotel, integrado em plena floresta tropical entre duas praias paradisíacas com água cor de esmeralda e areia dourada pelo sol, onde é possível observar numa o nascer do sol e na outra o pôr-do-sol, é um refúgio tranquilo e que nos oferece o que de melhor a Natureza tem para mostrar. Link hotel – https://www.booking.com/hotel/st/bom-bom-island-resort.pt.

Ficamos num dos seus bangalows em frente ao mar e a sensação de adormecer ao som das ondas e acordar com a mais maravilhosa das paisagens só para nós faz valer cada cêntimo a mais que se paga por este tipo de quarto!

Após uma manhã simplesmente a usufruir da extraordinária paz e da beleza natural desta parte remota do Mundo, quisemos sair do “paraíso”, conhecer um pouco esta pequena ilha, apenas habitada no centro e norte por cerca de 9000 pessoas já que o Sul é ainda virgem e inabitado.


Sempre rodeados de floresta tropical fomos observando as várias espécies de árvores até chegarmos à Roça Paciência, em processo de reabilitação, onde já se trabalha no processo da secagem do cacau e se prepara o relançamento da agricultura.

Partimos depois para mais um recanto de suster a respiração na ilha do Príncipe: a praia da Banana com os tons de azul com que as praias daqui já nos habituaram.

Bem perto, a Roça Belo Monte, no topo da montanha, oferece alem duma maravilhosa vista, alojamentos de luxo, restaurante e piscina numa envolvência também ela digna de registo. Aqui também pudemos visitar um pequeno museu que conta a história da ilha.

Fica aqui o link e um “aperitivo” deste alojamento com uma foto do quarto de banho da suite principal… Link – https://www.booking.com/hotel/st/roca-belo-monte.pt.

Conhecemos ainda a Roça Sundy, de arquitectura colonial, resultado da conversão em hotel de uma roça de cacau em que 90% dos atuais colaboradores foram recrutados na comunidade local, que ainda por lá vive e “partilha” as instalações… em breve terão a sua “Terra Prometida” onde serão realojados. Mais um dos projectos de Mark Shuttleworth, sempre com uma forte componente de responsabilidade social e sustentabilidade ecológica.

Para quem queira uma experiência mais imersíva com as gentes de Príncipe aqui é o local ideal para ficar. Link hotel – https://www.booking.com/hotel/st/roca-sundy-sundi.pt

Aliás, este é o lema em toda a ilha: a agricultura é 100% biológica, os hotéis estão restringidos a pequenos resorts, com limite de 50 bangalôs e partir de 2020, será cobrada uma taxa para a entrada de plástico.

Outra curiosidade na Roça Sundy é o facto deste local ter sido palco do teste da teoria da relatividade de Alberto Einstein pelo astrónomo inglês Arthur Eddington e o seu assistente Edwin Cottingham, um ponto alto da ciência do século XX.

Foi um dia de muita aprendizagem..,

Descobrimos que o cacau é um fruto, doce, cujo sabor nada se assemelha ao chocolate… provamos um que o Vander, nosso guia/motorista apanhou na beira de estrada!

E ficamos impressionados com a simplicidade com o que nos foram confidenciando os nossos anfitriões, que após nos mostrarem um número infindável de folhas e frutos que usam no dia a dia, nos dizem: “ …aqui somos todos ricos! Temos uma terra que nos dá tudo, é só colher e cozinhar”! “Há, claro, pessoas pobres, como no mundo inteiro, mas quando têm fome esticam a mão para uma árvore de fruta-pão, assam-na numa fogueira improvisada e têm uma refeição.”

Por fim, fomos visitar a velha cidade portuguesa de Santo António, tecnicamente a cidade mais pequena do Mundo!

Em todo o percurso fomos sendo invariavelmente cumprimentados por desconhecidos, adultos e crianças, que nos recebem com olhar curioso e um sorriso nos lábios!

Na ilha em que a floresta tem mais força que o homem, a simplicidade das suas gentes, a beleza surpreendente das suas paisagens e das suas praias paradisíacas conquistou-nos de imediato e passou sem dúvida a número 1 do top das nossas preferências nos “destinos de praia”.

É um pequeno diamante em bruto à espera de ser descoberto. Descoberto, não alterado… quase apetece desejar que se mantenha em segredo!

Ilhéu das Rolas

Regressamos ao aeroporto de São Tomé… mas ainda não foi desta que ficamos na capital do país… O destino era o ilhéu das Rolas e para lá chegarmos tivemos que percorrer a estrada que nos conduziu ao sul da ilha… Desta estrada falaremos com mais pormenores quando relatarmos a rota Sul pois acabamos por ter que a fazer, de novo, volvidos dois dias, no sentido inverso!

Chegados a sul, concretamente, à Ponta da Baleia, atravessamos de barco para um dos ex-líbris do arquipélago: o Ilhéu das Rolas, com apenas três quilômetros de extensão e habitado apenas por 200 pessoas.


Chegamos já a anoitecer… por aqui o dia dura pouco e tivemos por isso que esperar pelo dia seguinte para ir à descoberta!!!
Ficamos no seu único alojamento, o Pestana Equador, onde fomos mais uma vez recebidos de braços abertos por este povo hospitaleiro!

Link Hotel – https://www.booking.com/hotel/st/pestana-equador.pt

E, no dia seguinte, por muito que a fabulosa piscina e relvado bem cuidado do hotel parecesse uma boa opção, um passeio a pé em descoberta da ilha coadunava-se mais com os nossos planos!


Assim pelas 9:30 pusemo-nos a caminho por este ilhéu praticamente deserto, onde o verde e a tranquilidade imperam!
Fomos passando pelos miradouros, do Amor e da Esperança, que dão diferentes perspectivas da zona e vistas magníficas!

E “esbarrando” a cada canto com as mais diversas plantas e frutos oferecidos pela natureza…

Uma caminhada de 15 minutos pelo meio da floresta levou-nos depois até ao “ponto alto” deste passeio! Alto pois chegamos ao topo de uma pequena montanha e alto na sua importância geográfica… o marco do Equador!


Aqui passa a linha geodésica que divide os dois hemisférios do globo, estarmos a zero graus e ter a oportunidade única para nos colocarmos, de uma só vez, entre ambos foi um sonho concretizado! E tudo isto num cenário composto pela uma paisagem verdejante, rodeada dos vários tons de azul do oceano atlântico!
Ps: entrar com o pé direito (como nos explicou a Carla a nossa simpática “guia” aqui nas Rolas)

Em seguida, por entre os montes de cascas de coco que enchem os terrenos do interior do Ilhéu, chega-se à ponta oposta, onde se destaca um pequeno geiser, uma ligação subterrânea ao mar que “cospe” água e vento a cada onda…

Conhecemos a praia Joana, onde vem desovar as tartarugas…

a praia Escada com os seus perigosos ouriços

e a ponta Cabra, uma pequena formação de pedras vulcânicas que entra mar dentro…

a paisagem arrebata, a serenidade é total! “Leve leve”, como fazem questão de dizer.

De regresso fomos ainda dar um mergulho nas águas transparentes, calmas e quentes da Praia Café

E acabamos a nossa “volta à ilha” pela aldeia local de São Francisco… sem saneamento ou água potável, um conjunto de barracas coloridas onde a vida se faz na rua, que partilham com os porcos, onde se lavam os tachos da refeição anterior e as crianças meias despidas brincam à “apanhada”.


Aqui deixamos o coração… derretidos por sorrisos genuínos!


Fomos à escola primária (única cá) deixar roupas que trouxemos e conhecemos o professor que todos os dias atravessa de barco do Sul de São Tomé para vir ensinar as crianças!
Pessoas simples mas muito simpáticas, acolhedoras e sempre disponíveis para nos mostrar orgulhosamente os encantos deste cantinho do mundo, oficialmente denominado ilhéu Gago Coutinho.


Ilha de São Tomé

Rota Sul

Vindos o ilhéu das Rolas, chegamos à Ponta Baleia para daí visitamos o Sul da ilha de São Tomé, o Distrito de Caué onde a maioria dos seus habitantes vive abaixo no nível de pobreza.
E que podemos dizer? É um “choque” ver como se vive com tão pouco…Apesar de uma terra rica e abundante e um mar generoso que vai fornecendo o essencial para (sobre)viver, falta tudo o resto…
Foi com esta triste realidade que nos recebeu a localidade de Porto Alegre, conhecida pelo seu “peixe voador” (peixe seco) e pela sua roça, que era a segunda maior propriedade da zona sul da ilha.

A roça de Porto Alegre está hoje totalmente degradada… a casa principal, as casas dos antigos empregados e, no outro extremo, virado para o terreiro, o bairro das sanzalas, estão em ruínas e foram ocupados pela população local.

Por trilhos de terra batida rumamos às praias paradisíacas, Jalé, Piscina e Inhame.

Na praia Jalé existe um ecolodge para os mais “naturalistas” oferece alojamentos junto ao mar, sem água canalizada, luz elétrica ou rede telefónica … para desligar do mundo e apenas sentir São Tomé no seu estado mais “primitivo”!

Link: https://www.booking.com/hotel/st/jale-ecolodge.pt.

Nesta última visitamos o “Praia Inhame Ecolodge”, uma unidade turística com vários bungalows em perfeita simbiose com a natureza!

Link – https://www.booking.com/hotel/st/praia-inhame.pt

Foi a praia Inhame a que mais gostamos em São Tomé! Bem servida pela infraestrutura hoteleira, muito bem conseguida e que nos deixou positivamente impressionados! A sua localização é excelente permitindo explorar a partir dali todo o Sul da ilha e mesmo uma ida e volta no mesmo dia ao ilhéu das Rolas para quem não optar por lá pernoitar.

São Tomé e Príncipe não se caracteriza por ser um destino exclusivo de praia, mas as verdade é que estas não ficam atrás de nenhuma em qualquer parte do mundo… pelo contrário !!!

Começamos então o percurso para norte. A mesma estrada que já tínhamos percorrido, destruída pela chuva e pelos troncos de árvores caídos, com o piso muito degradado, preenchido por pedras, onde o carro se equilibra em duas rodas no passeio de cimento… requer muita paciência e habilidade!

E por entre praias, plantações de bananas e montanhas como o Pico do Cão Grande, cenário digno de um cartão postal que, na verdade, é uma das imagens mais icónicas de São Tomé fomos descobrindo esta ilha ainda tão pouco explorada pelo turismo.

Parámos junto à cascata pesqueira para observar a sua maravilhosa queda de água antes de chegarmos à roça de São João dos Angolares.

A Roça de São João dos Angolares é também do tempo da colonização portuguesa, mas ao contrário da de Porto Alegre, totalmente recuperada, respeitando a traça original.


Aqui, com uma vista deslumbrante sobre a floresta e o mar, desfrutámos do saboroso menu-degustação preparado pelo conhecido chef João Carlos Silva e pela sua equipa totalmente constituída por habitantes locais, como nos foi orgulhosamente confidenciado pelo próprio!


Nesta viagem de sabores da cozinha de fusão africana é notório o rigor, a qualidade e acima de tudo o amor com que tudo é confecionado.


Desde a primeira prova do explosivo conjunto Pimenta / gengibre / chocolate, passando pelo côco assado no forno com sal e canela, à pasta de ovas de peixe, à berinjela com farofa, batata doce e ovas de espadarte com molho de azeitona e baunilha, até aos bolinhos de amendoim com molho “fura cueca”, aos corta sabores de manga assada no forno com sal e maracujá ou jaca e sape-sape com sorvete limão passando pelo prato principal de grão à patrão e acabando nas sobremesas de papaia verde com queijo cabra e banana bebada com chocolate e anel de mandioca, tudo é simplesmente delicioso!

Além do restaurante a Roça também funciona como alojamento turístico e tem um bonito projeto de combate à pobreza e à exclusão social, através da criação da Fundação ROÇA-MUNDO, vocacionada para o acompanhamento da comunidade e melhoria da sua qualidade de vida.

Outra boa opção para alojamento pois a sua proximidade á cidade de Angolares potencia a convivência de perto com os seus habitantes, bem mais hospitaleiros que os da “grande” capital do país! Além de que o local é magnífico, elegantemente decorado com peças da época colónia e objetos restaurados no local.

Link – https://www.booking.com/hotel/st/roca-sao-joao-dos-angolares.pt

Depois do almoço seguimos em direção à praia das 7 ondas.
Ao passarmos Angolares entramos numa outra era, a estrada é de alcatrão relativamente bem conservada, contornando a costa. Aqui ainda existem os sinais de transito e os marcos quilométricos em pedra que recordam as estradas nacionais do antigamente.

Fizemos ainda uma curta paragem na boca do Inferno, fenómeno natural causado quando as ondas entram numa passagem estreita, que termina numa caverna com uma abertura no topo onde a água se eleva no ar.
Diz a lenda que o capataz da Roça Água Izé entrou por essa caverna e saiu em Portugal, na Boca do Inferno de Cascais e não mais regressou!

Passamos de seguida precisamente na roça água Izé, considerada uma das maiores e a primeira roça de São Tomé, onde foram lançadas as sementes do cacau.
A sua degradação é total, nada funciona… A zona baixa onde se localizava a casa da administração, junto à estrada, foi ocupada pelas famílias cada vez mais numerosas. As serralharias, as carpintarias e os armazéns na zona alta estão ao abandono ou funcionam como oficinas improvisadas de automóveis…

Antes de chegarmos à cidade de São Tomé ainda passamos por Santana e pela zona piscatória da Praia Melão assistindo o regresso a casa dos seus habitantes que se aglomeravam nas bermas da estrada.

Não podemos deixar de aqui partilhar alguns comentários á nossa publicação na página do FB onde diariamente fazíamos o nosso “diário de bordo” para por quem por lá seguiu quase em direto a nossa viagem…

Ana Paula

“Belíssima descrição. Também fiz essa rota há ano e meio.
Para mim S. Tomé e Príncipe, foi sem duvida a viagem que mais amei por variadíssimas coisas.
O cheiro da terra, o olhar, o toque das pessoas é único.
Senti um chamamento, algo divino, que me diz que tenho de voltar!”

Olga Baltazar

“Lindo! Pelo que li está igual ao que vi em Junho de 2016. Fiz essa rota e as memórias ficam guardadas num lugar especial, sempre com vontade de regressar.”

Rota Norte

O dia seguinte iniciou-se na roça Agostinho Neto, antiga Roça rio D’ouro, que recebeu o seu atual nome após a independência nacional em 1975, em memória do primeiro Presidente de Angola.
Organizada em volta da sua artéria principal, marcada pelo imponente hospital implantado na extremidade mais elevada e ladeada pelo conjunto das sanzalas, das habitações dos feitores e trabalhadores foi uma das maiores e mais importante roças do país.


De tal forma que, na era colonial, possuía um sistema ferroviário próprio, a partir do qual se estabelecia a ligação e o abastecimento entre as suas dependências e o porto na Roça Fernão Dias, só para o transporte do cacau.
Tal como a maioria das roças de São Tomé, atualmente está na posse do estado, que no entanto permite a sua ocupação às pessoas, muitas delas antigos trabalhadores que acabaram por ficar, geração após geração.
É quase cruel ver a degradação a que está sujeita… a maioria dos edifícios estão em ruínas, sem portas ou janelas, mas ainda assim são a casa de cerca de mil pessoas!


Maioritariamente constituída por jovens e crianças, são autênticos recantos que perpetuam a herança mais profunda de um povo, o que resta do antigo império colonial português.

Após passarmos a cidade de Guadalupe, seguimos em direcção a Tamarindos, uma praia linda e inacessível a que chegamos por terrenos de terra batida, entre bananeiras, em puro percurso de “TT”!

De volta à estrada o destino era agora a Lagoa Azul. A estrada do norte é bastante diferente do Sul, também muito degradada mas ao invés de floresta tropical, vimo-nos rodeados da savana sobrevoada por falcões de um lado e um mar calmo onde as pirogas e os pequenos barcos de pescas circulam em busca do melhor peixe.

A paisagem na Lagoa Azul é uma vez mais um postal ilustrado, o mar colorido de azuis, turquesas e verdes estonteantes onde se enquadra farol situado no morro do carregado, rodeado por um arvoredo paradisíaco, onde a calma e o silêncio reinam.

O almoço fez-se na cidade de Neves, capital do Distrito de Lembá, onde se situam as únicas indústrias do país: da cerveja Rosema e os depósitos de combustíveis que chegam ao arquipélago, provenientes do exterior, para depois serem distribuídos por todo território em camiões.

Para nosso espanto é desta forma que é abastecido o gerador de energia elétrica de toda a cidade de São Tomé… sim, a capital do país tem um gerador! E quando a estrada está intransitável… o que a ver pelo seu estado de degradação, não serão poucas as vezes… São Tomé fica sem energia !!!!

A povoação desta cidade é ainda assim maioritariamente piscatória e tal como em todos os povoados por que passamos todos fazem da rua a sua casa. Há bancas da CST (empresa de telecomunicações) para vender saldo do telemóvel espalhadas por toda a parte, as crianças de uniforme e mochilas às costas a caminho de ou para a escola completam o cenário.

Aqui fica o típico Restaurante da Santola onde, por não sermos muito fãs de marisco, comemos peixe andala acabadinho de pescar!

O restaurante não fica na estrada principal, localiza-se numa artéria de terra batida, entre casas/ barracas dos moradores locais e parece tudo menos um restaurante… só chegados ao andar de cima, onde se servem as refeições, respiramos “de alívio” ! E como é hábito dizer “não se deve julgar o livro pela capa”… foi o melhor peixe que comemos em toda a nossa estadia!

Passamos ao lado do Hotel / Resort Mucumbli que se auto intitula como de “turismo selvagem” oferecendo boas instalações para permanecer nesta parte da ilha permitindo ainda aos que lá pernoitam a possibilidade de explorar mais a fundo a zona norte, nomeadamente aventurando-se até aos túneis de Monte Figo – Link – https://www.booking.com/hotel/st/mucumbli.pt

E continuamos até ao Padrão dos descobrimentos (Ana Ambó), marco da chegada dos navegadores portugueses Pedro Escobar e João de Santarém à ilha, no dia 21 de Dezembro de 1470, dia de S. Tomé.

Encontramos aqui o pretexto para questionar sobre o que pensam de “nós”… pensávamos que não teriam a melhor imagem dos seus antigos colonizadores! Mas não…

Selsiley Viegas (o nosso guia/motorista)

“nós dizíamos mal dos portugueses, mas a verdade é que tudo foi à falência quando foram embora!”
_ “O povo não soube manter o que tínhamos e tudo ruiu! O gado morreu porque não o soubemos tratar, as roças pararam de produzir, foram invadidas pelas pessoas e degradaram-se”
_”Atualmente temos muitas ajudas de Portugal e vivemos muito dos turistas portugueses que são maioritariamente os nossos visitantes”

Continuamos para o túnel de Santa Catarina para desfrutar de uma paisagem sem igual.

No regresso passamos ainda na roça Diogo Vaz onde pudemos apreciar os armazéns de secagem do cacau em pleno funcionamento e as plantações novas que a rodeiam e que lhe auspiciam um futuro próspero, tendo-lhe inclusive já sido atribuído, em 2017, a “Certificação Biológica” para o seu cacau.
Um exemplo a seguir no aproveitamento destas infraestruturas deixadas ao abandono.

Chegamos à capital, São Tomé, a meio da tarde e circulamos um pouco pelas suas ruas para conhecer um pouco mais da sua realidade, para a qual se tem que vir de espírito aberto, tendo-nos chamado especialmente a atenção a azáfama nas ruas junto ao Mercado… fomos invadidos pelas cores e padrões típicos dos tecidos e roupas aqui vendidos em perfeita “convivência” com frutas e verduras, misturadas com sapatos e utensílios do dia a dia.

Mais uma vez nos marcaram alguns comentários deixados pelos nossos seguidores da página “oficial” deste blogue no FB:

Ana Maria Cardoso

“Estive aí em S. Tomé há cerca de 15 anos e parece que nada mudou , quando vejo as fotos e as descrições…infelizmente, não há melhoria nenhuma nas infra estruturas e principalmente para a população!”

Paula Rodrigues

” Vou a S. Tomé todos os anos. É um dos poucos destinos em que mal estou a sair, já fico com vontade de voltar. E não consigo explicar porquê. “

Luísa Rodrigues

“Saudades muitas não se esquece essa terra”

Rota Centro

O dia amanheceu cinzento e mal saímos em direção á cidade de Trindade a chuva começou…


Fizemos uma breve paragem em Batepá, localidade onde se iniciou a revolução dos fôrros, que levou ao grande massacre de ‪03 de Fevereiro, no seu monumento de homenagem ás vítimas.


Os fôrros, grupo etno-cultural dominante em São Tomé, que até então não estavam sujeitos ao mesmo estatuto que os trabalhadores “contratados” oriundos de Angola, Moçambique e Cabo Verde, considerados inferiores e levados para trabalhar nas roças de cacau e café, começaram a ser também utilizados nessas tarefas face à diminuição da mão de obra oriunda das outras colónias portuguesas. Tensões crescentes entre a administração colonial e as populações culminaram no massacre: vários atos de violência, prisões em massa, torturas e exílio para a ilha do Príncipe de alguns elementos mais destacados da elite são-tomense. Também houve violações, casas incendiadas e roubo de terrenos que pertenciam aos fôrros.
O massacre é considerado o episódio fundador do nacionalismo são-tomense e as suas vítimas foram transformadas em heróis pela liberdade da pátria.
O dia é hoje celebrado como feriado nacional.

Após esta paragem seguimos em direcção á roça do monte café, a maior produtora de café de S. Tomé e Príncipe onde pudemos observar todo o seu processo de produção.


No secador principal, talvez a obra mais interessante de todo o conjunto, totalmente construído em madeira, mantendo a sua arquitetura original, surpreendeu-nos a forma como estas roças funcionavam: mecanizadas, eficientes, com carris para trazer as sementes.


Foi-nos dito que foi aqui o cenário do filme indiana Jones na sua célebre fuga no filme “O Templo Perdido” mas apesar das parecenças dos vagões não conseguimos confirmar a veracidade desta informação…
No fim, uma passagem pelo museu e uma prova do seu famoso café arábica deixou-nos na boca o “sabor a São Tomé “

A chuva cada vez mais intensa não nos impediu de visitar o jardim botânico em pleno parque natural Obô para conhecer inúmeras plantas medicinais e outras espécies locais aqui preservadas.

Neste dia dedicado à descoberta da natureza, pudemos comprovar que toda a ilha é de uma imensa riqueza natural, de que é exemplo a cascata de São Nicolau, uma das mais emblemáticas do país.

Chegamos por fim à casa onde nasceu, na antiga roça Saudade, Almada Negreiros. Entregue às ruínas até que um grupo de jovens predominantemente originários do local a recuperou, atualmente funciona como guest house e como restaurante, onde almoçamos: tudo preparado com ingredientes locais e com uma vista fenomenal para a floresta tropical.


Um exemplo a seguir de proatividade da comunidade local com um pequeno museu onde se expõem quadros, livros e pinturas deste “filho da terra” que se tornou uma referência artística a nível mundial.


Há ainda um pólo de venda de artesanato e um espaço Oficina para crianças e jovens de Saudade.

Os comentários á nossa publicação deste dia no FB deixaram-nos “babados” de orgulho… é bom quando o nosso trabalho é apreciado!

Olívia Monteiro Pinto

“Boa viagem e mais uma vez obrigada pelas crónicas que nos transportam a essa terra. Agora só falta fazer a mala, os cheiros e os sabores já nos fizeram água na boca.

Hamilton Costa

“Viagem Molhada. Viagem Abençoada 🙂 Estão a fazer um óptimo trabalho informativo.”

Foram muitas e diferentes as paisagens com que nos deparamos nesta viagem… Riachos repletos de lavadeiras, praias desertas de cores estonteantes, plantações de bananas ou cacau, pescadores nas suas pirogas e roças: umas reabilitadas, a maioria delas muito degradadas, invadidas por vegetação e ocupadas por famílias numerosas em condições de precariedade extrema… memórias de outra época que criam uma certa nostalgia por tudo o que se perdeu, numa independência difícil.
Foi acima de tudo uma experiência “dura” ver as condições em que se (sobre)vive e ao mesmo tempo uma lição de vida pois, apesar de tudo, vê-se felicidade, sente-se leveza no estilo de vida sem stress e bem-humorado que inclusive lhes “rendeu” o nome de “leve-leve”.

Rating: 5 out of 5.

Todos os textos são da autoria de Olga Samões e todas as fotografias deste blog são da autoria de José Carlos Lacerda, exceto onde devidamente identificado. Proibida a reprodução de quaisquer textos e/ou imagens sem autorização prévia dos autores

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