Giro Italiano – NÁPOLES

Nápoles não tem o que podemos chamar de uma “ boa fama”! Qualquer pesquisa na internet alertava-nos para os índices de criminalidade e de quão suja esta cidade era!!! Máfia… é a palavra que mais se ouve!

Mas, ao invés de ver o Dom Corleone a circular por lá encontramos uma cidade muito vigiada, com os “carabinieri” e o “esercito” sempre em cima de tudo…Apesar de não termos achado Nápoles insegura, tivemos sempre cautela, como evitar descuidos em locais de grandes aglomerados, não andar por ruas desertas à noite, enfim, aqueles cuidados que se deve ter em qualquer lugar tido como “potencialmente perigoso”.

Já quanto à sujidade… não é mito! Esta cidade é mesmo muito suja, descuidada, feia de tanto desleixo, com muito mau aspeto! É difícil gostar de Nápoles…

Mas nós tentamos… e acabamos por encontrar o seu encanto nas ruelas do Centro Histórico: autênticos labirintos, estreitas, cheias de gente, sem muitos turistas, com gente napolitana mesmo!

Um ótimo passeio para quem quer conhecer aquela Itália caótica e adorável que se vê nos filmes! Há muito barulho, fala-se alto, muito alto, aos berros como se sempre estivessem a discutir! Com muitos gestos e insultos provavelmente… Anda-se rápido, contra as pessoas, pelo meio das mil e um scooters e dos carros, que circulam nas áreas pedonais alheios aos sinais proibitivos… Andam como se estivessem sempre atrasados e param de repente, só porque sim ou para mais uma vez “discutir”! As crianças berram, os adultos dão gargalhadas estridentes…a confusão é total!

Também por ali existem várias igrejas com obras de arte… mas tínhamos vindo de Roma! Impossível ficar minimamente impressionados com o Duomo com a Capela de Pio Monte della Misericordia ou com o Complesso Museale di Santa Chiara.

Mas outro tipo de arte chamou a nossa atenção… nos mais inusitados sítios, na esquina da viela mais suja e cheia de estendais de roupa autênticas obras de arte urbana espreitavam…

De entre as várias ruas por onde circulamos não podemos deixar e realçar a “ Spaccanapoli “, oficialmente “Via Benedeto Croce”, uma via estreita, comércio local, bares e trattorias que é “a cara” de Nápoles e a Via San Gregorio Armeno, ainda mais estreita e cheia de lojinhas de presépios.

Fomos depois até ao Castel Sant’Elmo, na região de Vomero. Apanhamos um funicular e chegamos ao alto da colina…

Dominando a paisagem de Nápoles, o Vesúvio, o único vulcão activo da Europa continental. Com o sol a pôr-se e as luzes da cidade a começar a acender… a vista é maravilhosa e aqui a calma é total!

Descendo pela mesma via estávamos de regresso à confusão… atravessamos o mercado mais antigo de Nápoles, a Pignasecca. Este mercado de rua é perfeito para interagir com a autenticidade napolitana. Mais uma vez a beleza do caos napolitano aflora neste mercado, com os inúmeros itens à venda desde bancas de peixes e de frutas, a roupas, sapatos, quinquilharias…

O mercado acaba noutra não menos movimentada rua, a Via Toledo, uma grande rua comercial, com lojas para todos os preços e onde podemos encontrar a Galeria Umberto I, que faz lembrar a Vittorio Emanuele, em Milão.

Onde comer pizza napolitana?

Em qualquer lado!!!! Mas ficam aqui alguns endereços muito famosos para comer a famosa pizza:

A Brandi, pizzaria que afirma ter inventado a Pizza Margarita e a L’Antica Pizzeria da Michele (Via Cesare Sersale, 1) que apareceu no filme Comer, Orar e Amar. Na Pizzaria da Michele, serve-se apenas dois sabores: ou a marguerita tradicional ou a marinara (que é a pizza sem queijo). Fomos até esta última! A pizza acabadíssima de sair do forno a lenha mesmo à nossa frente estava ótima !

A cidade tem alguns personagens, Maradona, seu ídolo futebolístico, Sofia Lauren, sua diva cinematográfica e Pulcinella, indiscutivelmente o símbolo mais conhecido do povo napolitano, com a sua intrigante máscara! Pulcinella é um personagem de espírito ingênuo e ao mesmo tempo esperto e que não conseguia guardar um segredo! Daí a expressão “segredo de Pulcinella” significar que todos irão saber, porque originalmente, segundo a lenda urbana, o personagem era um túmulo…aberto.  

Impõe-se por fim responder a uma pergunta… vale a pena ir a Nápoles? Definitivamente sim! Há uma expressão popular que diz que quem lá vai “chora duas vezes, quando chega e quando vai embora”. Uma vez passado o susto por causa do caos e de toda a sujidade a partir do momento que se vê que a magia de Nápoles está na sua autenticidade, deixá-la vai-te de novo fazer chorar, de saudade…

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