“Pelos States” – Route 66 -OKLAHOMA / AMARILLO/ STA FÉ /HOLBROOK

Com algumas milhas para percorrer no estado de Oklahoma, voltamos ao campo, ás pequenas quintas, ás pontes antigas…e já com algumas ameaças de índios a chegar, antes de deixar este estado, ficou na memória uma paragem – Sand Hills Curiosity Shop, um lugar fabuloso de culto á Route 66 mas que infelizmente se encontrava fechado à nossa passagem.

Chegamos então ao desejado Texas…a paisagem abriu numa planície imensa de retas sem fim, a pequena “farm” foi substituída pelo enorme “Ranch”, no Texas é tudo grande, tudo à grande! Até a velhinha Route 66 tem ali 2 faixas para cada lado!!!

Já perto de Amarillo, o nosso destino da jornada, fizemos um desvio para a nossa primeira sidetrip: Palo Duro Canyon.

Apesar de ser o segundo maior canyon dos Estados Unidos, estando já programada a passagem pelo Grand Canyon, um dos mais famosos do planeta, poderia ser difícil justificar a visita, mas a realidade é que tivemos aqui uma experiência totalmente diferente…apesar de não ser tão imponente, possui estradas asfaltadas que nos conduzem pelas suas “entranhas” até a base e, no caminho, são diversas as trilhas pedestres que podem ser feitas, com graus de dificuldade distintos, que levam até lindos locais de observação.

A relação do visitante com Palo Duro Canyon é, assim, mais próxima, sendo possível interagir com a natureza, e não apenas observá-la percorrendo os miradouros. Ou seja, ao invés de competirem entre si, o Grand Canyon e o Palo Duro Canyon completam-se, oferecendo, cada um, uma experiência própria e única.

De regresso a Amarillo impunha-se a passagem por um dos mais importantes ícones da Mother Road, o Cadillac Ranch! Criado em 1974 por Chip Lord, Hudson Marquez e Doug Michels, membros do grupo de arte “Ant Farm”, vimo-nos diante de uma “escultura” constituída de dez modelos de automóveis da marca Cadillac que representam a evolução do automóvel desde 1949 até 1963. Inicialmente, os automóveis tinham a sua cor original mas com o passar do tempo, os visitantes começam a grafitá-los, não passando agora despercebidos tal é o espectáculo de cor.

Outra particularidade é a forma como estão dispostos, numa imensa planície do Texas, semi-enterrados, com os seus faróis dianteiros a apontar para os céus, em fila “perfeita” formando um cenário pitoresco e muito curioso!

Apesar de estarem em propriedade privada, a sua proximidade com a estrada da estrada “convida” a saltar a vedação e percorrer o caminho de terra até lá… Como tinha chovido, o caminho era um autêntico lamaçal e em volta dos carros tinha-se formado uma verdadeira piscina! Mesmo assim não faltavam turistas a arregaçar as calças e descalçar os sapatos para de aventurar até perto dos mesmos e por lá deixar a sua marca em forma de graffiti. Como tínhamos o drone, pudemos “passar” essa parte e sobrevoar a zona de longe vendo todos os pormenores e todos os ângulos de forma privilegiada!

Ficamos instalados o hotel Baymont:

O dia tinha então que acabar no mítico “Big Texan Steak Ranch”, famoso pelo seu 72 once steak at no charge, se comido em apenas 1 hora, claro!!!! Não desiludiu …

“Yes, everything’s bigger ‘n Texas

Antes de deixar para trás o Texas e as suas planícies de perder de vista, “plantadas” de wind mills e muitas vacas, fizemos a paragem obrigatória no “midpoint”: tínhamos chegamos a meio do caminho entre Chicago e Santa Monica, em LA. Entre a nostalgia do que já passamos e as expectativas do que estaria para vir, a sensação de metade estar feita deixava-nos um sentimento de gratidão pela viagem que estávamos a fazer!

Outro estado, New Mexico, nos aguardava e fez-nos entrar numa nova fase da Route 66! A hora mudou, mudámos de paisagem, mudamos de gente…

Tucumcari é a porta de visita deste estado com o famoso corredor de letreiros em neon anunciando inúmeros motéis. Foi uma pena não termos aqui passado de noite.

Entretanto, a altitude começou a subir e entre montanhas e vales, chegamos à capital do Estado, Santa Fé.

A quase 2 mil metros de altitude, rodeada pelas “Montanhas Rochosas” a cidade está repleta de influências indígenas e espanholas é uma cidade “diferente” com os seus edifícios cor de terra, como se de lama fossem feitos. A sua arquitetura foi definida há mais de um século para preservar o estilo dos pueblos e a expansão e crescimento urbanos foram limitados por um plano urbanístico pioneiro.

Visitamos a sua praça histórica, onde começou a colonização espanhola e que tem à sua frente o Palácio dos Governadores, que hoje em dia é um museu e muitas lojinhas de souvenirs, além de cafés e restaurantes. Ali perto a Catedral imponente e a alguns quarteirões, a Canyon Road,  rua das galerias de arte, fizeram-nos as delicias de um passeio ao fim da tarde.

Os seus habitantes têm feições mexicanas, espanhol é falado por todo o lado… parecia que estamos noutro país! A diversidade cultural no seu máximo apogeu!

O nosso hotel em Amarillo não era na zona central da cidade pois aí era difícil arranjar hotel com aparcamento para o carro… no entanto, tinha uma transfer gratuito de meia em meia hora que levava e trazia os hospedes para a praça central, pelo que se mostrou ser uma ótima opção.

LINK HOTEL SANTA FÉ SAGE INN

Com ainda bastantes quilómetros para percorrer em New México, desistimos rápido de visitar as terras protegidas onde vivem comunidades de nativos americanos ao sermos “perseguidos” e “enxotados” por um polícia índio com cara de mexicano.

A verdade é que as pequenas aldeias onde ainda poderíamos encontrar verdadeiros índios americanos com nomes como “Touro Sentado”, “Nuvem Vermelha” e “Cavalo Louco”, simbolizando características físicas ou de personalidade em perfeita harmonia com nomes de animais e aspectos da natureza, estavam devidamente sinalizadas como “áreas protegidas” onde filmar, fotografar e por vezes mesmo parar é estritamente proibido. No entanto, podermos por lá passar era para nós mais do que suficiente uma vez que acima de tudo valorizamos a vivência destas experiências sendo secundária a obtenção de registos delas… Infelizmente não é este o pensamento de muitos turistas que tratam estes povos como se de “animais de zoológico” se tratassem e devassam a sua vida privada.

Seguindo viagem, passamos o Continental Divide, onde “se separam as águas”, as que caem a Este correm para o golfo do México e dai para o Atlântico e as que caem a Oeste seguem para o oceano pacifico.

E entramos no estado do Arizona!

Aqui perdemos as montanhas escarpadas, os penhascos dos filmes de índios e cowboys mas ganhamos uma hora (novo fuso horário) e um deserto… e que deserto !!!! Um colorido difícil de imaginar e difícil de descrever! Painted Desert, o seu nome, diz tudo…mais um sítio maravilhoso que esta viagem nos proporcionou!

Perdemo-nos pelos seus recantos, fazendo a estrada entre o “Pintado Point”, “Kachina Point”, “Newspaper Rock”, “Tepees Rock”, “Jasper Forest” e “Crystal Forest” parando a cada canto, ora em tons de vermelhos, laranjas e ocres, ora refletindo azuis, verdes e lilás e aventurando-nos pelas suas trilhas que nos envolveram nas suas cores garridas que tão caprichosamente a natureza por ali pintou.

Fazendo parte do parque estadual, o Petrified Forest National Park no outro extremo deste pudemos constatar que, onde há alguns milhões de anos existia uma floresta repleta de rios, matas e árvores faziam desta área uma exuberância total, hoje, tudo mudou. O que se vê ao chegar é uma desolação total, somente desertos, somente aridez. Mas, por um capricho da natureza, nem todas as árvores desapareceram… como testemunho do passado, muitas delas ainda lá estão, quase irreconhecíveis, transformadas em fósseis, petrificadas!  Um processo natural e raro agora preservado para as gerações futuras neste parque protegido.

e o final do dia brindou-nos com este por do sol… só visto!

Pernoitamos em Holbrook num hotel simples mas muito confortável:

LINK HOTEL LEXINGTON INN HOLBROOK

Saindo cedinho e pela fresca (9 graus ao sol !!!) poucas milhas seriam as percorridas neste dia pela Route 66… mas como este trecho da estrada é cheio de locais de interesse um planeamento rigoroso impunha-se para nos permitir usufruir do dia ao máximo.

Saídos de Holbrook, localidade desconhecida onde por questões “logísticas” pernoitamos rumamos à ainda menos conhecida cidade de Joseph! E porque Joseph?

Quando a route 66 chegou esta era apenas uma pacata cidade com menos de mil habitantes mas com a estrada e o consequente aumento do tráfego que a atravessada, novas oportunidades “espreitaram” os seus habitantes. Foi durante esse período que James Taylor construiu o Jackrabbit Trading Post…começou por comprar um barraco, renova-lo pintando na frente, 30 pequenos coelhos ao longo do teto e um grande ao lado do prédio ao que acrescentou um outro, de três metros de altura, com olhos amarelos, mesmo ao lado da porta, para dar as boas-vindas aos muitos turistas que passavam por ali… impossível não reparar! Mas possuir um Trading Post naqueles dias não era o suficiente pois tal atividade proliferava e muita era a concorrência…Taylor tinha que fazer algo mais. E algo mais que ele fez! Ao longo da Route 66 foi espalhando cartazes com coelhos, seduzindo os viajantes a parar no Jackrabbit… Depois de tantas milhas anunciando algo cada vez mais intrigante e enigmático, os viajantes não poderiam perder a enorme placa amarela que simplesmente dizia “Here It Is”, com o seu famoso ícone jackrabbit. Uma técnica comercial invejável e que se tornou um ícone da estrada.

Outra paragem obrigatória foi feita no cruzamento imortalizado pelos Eagles na sua música “take it easy” cuja letra, “standing on the corner of Winslow” colocou esta pequena localidade no mapa.

E, ainda antes do desvio para a segunda side trip, desta vez mais longínqua, rumo ao norte, que nos levaria até Monument Valley, visitámos a maior cratera feita por um meteorito: formada há aproximadamente 50 mil anos por um meteorito de aproximadamente 50 metros a 40 mil km/h que com a força de uma bomba de hidrogénio atingiu a terra a cerca de 70.000 km/h deixando uma cratera de com mais de um quilómetro de diâmetro e 200 metros de profundidade.

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